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Matéria Capa 15

 


Perspectivas para 2012

por Márcio Junior

O Ministério da Fazenda reduziu as projeções oficiais de crescimento para a economia brasileira em 2011 e em 2012. Segundo a publicação Economia Brasileira em Perspectiva, as estimativas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foram atualizadas para 3,2% e 4,5%, respectivamente.

Na publicação anterior, divulgada em dezembro, o ministério apostava em crescimento de 3,8% para 2011 e 5% para 2012. O resultado do PIB do ano passado será divulgado em breve pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a Fazenda, o ritmo do crescimento da economia será mais intenso nos dois próximos anos. O ministério prevê expansão de 5,5% em 2013 e 6% em 2014. Entre 2011 e 2014, a média de crescimento da economia será 4,8% ao ano, maior que a média dos 4,6% anuais registrados de 2007 a 2010. “Depois da acomodação em 2011, a economia brasileira vai se acelerar. Com investimentos tanto do setor privado, como do setor público, a média de expansão do PIB até 2014 deve ser superior à dos quatro anos anteriores”, avaliou o ministério. Mesmo com os ajustes, a previsão de crescimento está mais otimista que as estimativas do mercado.

Segundo o boletim Focus, pesquisa com analistas financeiros divulgada toda semana pelo Banco Central, o PIB deve encerrar 2012 com crescimento de apenas 3,3%. A previsão para a inflação oficial pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 4,7% neste ano, perto do centro da meta, que é 4,5%. A projeção é a mesma apresentada pelo Banco Central no último Relatório de Inflação, lançado em dezembro. O número, no entanto, está abaixo dos 5,29% previstos pelas instituições financeiras no boletim Focus.

Já que o futuro é incerto, os líderes sentem-se absolvidos da responsabilidade de planejar. Esse “conforto perverso” é a pior atitude para uma organização adotar. A proposta desta reportagem, é tirar a sua empresa e a sua carreira dessa zona de conforto.
Quando se abandonam algumas rotinas, o mundo pode parecer ameaçador. E as rotinas estão definitivamente mudando. O guru C.K.

Prahalad enumera oito grandes mudanças no ambiente corporativo:
1- ele passou de aconchegante a competitivo;
2- era local, virou global;
3- as empresas não competem mais com empresas similares a elas, mas com empresas totalmente diferentes;
4- as fronteiras industriais, que eram claras, são incertas;
5- no lugar da estabilidade, entrou a volatilidade;
6- em vez de intermediários, importa o acesso direto: a logística tem um papel cada vez maior;
7- em vez da integração vertical, os especialistas;
8- no lugar da herança simples, a múltipla: a integração da tecnologia química com eletrônica, mecânica com eletrônica, farmacêutica com moda.

Tudo isso é muito ameaçador, mas é muito promissor. Se uma empresa de um ramo diferente da sua vai lançar um produto concorrente, por exemplo, também nada impede que a sua empresa invada o terreno dos outros. Estes são dias de milagres e maravilhas, e não adianta chorar.

Capital e trabalho
Não há como prever as transformações que nos aguardam. “Se tivéssemos sabido onde olhar, mesmo nos anos 50 poderíamos ter visto a mudança de valor do capital para o conhecimento”, diz o antigo executivo da Shell Arie de Geus.”Isso ficou visível no aumento de valor das companhias pobres de bens e ricas de cérebros e sociedades: firmas de auditoria internacionais, consultorias, propaganda e mídia.” Essa mudança hoje se percebe na cotação em bolsa de companhias como Microsoft, Yahoo! ou Amazon.com, na rapidez com que alguns empresários digitais se tornam milionários e na valorização da criatividade em indústrias antes caracterizadas pela rotina da linha de produção.

Pensando bem, essa nova percepção do conhecimento não provoca assim tantas mudanças na economia. Só duas: muda o capital e muda o trabalho. No mundo do conhecimento, eles estão ficando menos antagônicos e muito mais parecidos em seu funcionamento. Capital é cada vez mais o capital intelectual, capital de relacionamentos, capital de marca, capital da informação. E trabalho é cada vez mais a capacidade de gerar e gerir ideias, de conectar-se a outros trabalhadores e a clientes.

Isso altera tudo. Não apenas vão surgir novas empresas, mais digitais, não apenas vão surgir novos trabalhadores, mais intelectualizados. Todo o mundo corporativo terá de ser repensado, reestruturado, reinventado, desde as relações com empregados e fornecedores até o uso da tecnologia, o marketing e as práticas de contabilidade. O que você faz agora, qualquer que seja a sua empresa, vai sofrer mudanças profundas. Nesse mundo novo, pelo menos enquanto ele é assim tão novo, uma empresa gerar lucro pode ser um dado irrelevante. O que importa é a “conquista de espaço”, e como o impacto positivo do salário mínimo estimula as vendas nas regiões que contam com este pagamento como referência de renda do Norte e do Nordeste, não é por acaso que as redes varejistas buscam ampliar seus investimentos nestas praças. “A varejista, dona das redes Extra e Assaí, quer avançar no Nordeste, por meio de hipermercados e supermercados”, disse o presidente do Pão de Açúcar, Enéas Pestana.

Uma sociedade pós-industrial?
Espera-se que em 2012 as mudanças sejam profundas, que vários autores referem-se a esse novo mundo como a sociedade pós-industrial. Para o sociólogo Manuel Castells, é bobagem. “Enquanto teorizamos sobre o pós-industrialismo, percebemos que estamos vivendo uma das maiores ondas de industrialização da história, se utilizarmos um indicador simples como o número absoluto de trabalhadores do setor industrial”, afirmou.

Uma mesma ideia alimenta tanto os cenários otimistas quanto os pessimistas sobre o pós-industrialismo: a ideia da automação, do progresso tecnológico, junto com a concentração de produção nas mãos dos grandes conglomerados e o fim das barreiras de proteção a indústrias locais. No cenário pessimista, os ricos ficam muito mais ricos e os pobres ficam na miséria, as cidades voltam a ser muradas como na Itália medieval, as elites contratam exércitos particulares, os Estados nacionais perdem poder e sentido, na medida em que já não conseguem arrecadar impostos nem impor a lei.

“A característica mais marcante de todos esses trabalhos prenunciadores de uma sociedade sem emprego é que eles não oferecem dados rigorosos e coerentes para suas afirmações, contando com recortes soltos de jornais, exemplos aleatórios de empresas de alguns países e setores e argumentos do senso comum sobre o impacto dos computadores no emprego”, afirma Castells, um intelectual respeitado que se esmerou em 12 anos de pesquisa para escrever seu trabalho sobre a era da informação. “De fato, o trabalho e o emprego passam por transformações, mas o número de empregos remunerados no mundo, apesar da situação difícil está em expansão. O emprego na indústria do Brasil teve variação positiva de 0,2% em dezembro sobre novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ante igual mês do ano passado, houve baixa de 0,4%. A alta de dezembro foi a primeira numa base mensal em três meses. Em 2011, o emprego industrial fechou com crescimento de 1 por cento, ainda segundo o IBGE, menor do que a alta de 3,4% registrada em 2010.

As taxas de participação da força de trabalho da população adulta estão se elevando em todos os lugares em virtude da incorporação sem precedentes das mulheres no mercado de trabalho.

Quanto aos empregos, há um dado mais preocupante: uma característica da economia de hoje é que, quando a produção cai, o nível de emprego também cai, como sempre foi, mas, quando a produção volta a subir, já não é mais automática a volta dos empregos, graças aos ganhos de produtividade. Como aponta Castells, a questão não é que o emprego esteja acabando, mas sim que ele está mudando. Primeiro, está mudando geograficamente, para onde é mais barato, por efeito da globalização e da desregulamentação. Em segundo lugar, o emprego está mudando de natureza. Há um trabalho mais inteligente em campo, e a mão de obra tradicional está ficando sem opção.

Oportunidades para amenizar a dor o passado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, viajou para à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes em busca de investimentos e negócios para o Brasil.

À frente da missão empresarial da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Pimentel foi a Dubai, Abu Dhabi e Riad acompanhado de representantes de 47 empresas dos setores de construção civil, material de construção, defesa e alimentos e bebidas em busca de novos mercados para os produtos brasileiros.

Além de fazer negócio com empresários dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita, os brasileiros apresentou seus produtos e serviços a potenciais compradores do Omã, Catar, Bahrein, Líbano e Kuwait.

Além das ações de promoção comercial, o ministro foi se reunir com autoridades dos países para tratar de investimentos no Brasil. A viagem ao Oriente Médio aconteceu num momento em que os governos da região buscam oportunidades de investimento nos países emergentes.

Os temas de interesse dos árabes são: segurança alimentar, turismo e hotelaria, autopeças e fontes de energia renováveis. Nos dois países, o ministro fez convites às autoridades locais para a Conferência das Nações Unidas Rio + 20, outro tema que entrou na pauta.
Essas oportunidades são bem-vindas uma vez que a indústria brasileira operou, no mês de dezembro, com uma média de 81,3% da sua capacidade instalada, segundo o documento Indicadores Industriais divulgado hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado ficou abaixo do piso do intervalo calculado pelos economistas ouvidos pelo AE Projeções, que ia de 81,4% a 82%. O desempenho é 0,1 ponto percentual inferior ao nível de utilização da capacidade instalada de novembro, que estava em 81,4%.

No quarto trimestre do ano passado, o indicador da CNI recuou 0,6 ponto percentual ante o trimestre imediatamente anterior. Na média de 2011, conforme a confederação, também houve uma queda de 0,1 ponto percentual com relação a 2010. O dólar valorizado foi, mais uma vez, apontado como principal responsável pelo desaquecimento do setor industrial. “A valorização da moeda vem desde 2005 e é um problema para o país, pois acirra a competição com produtos estrangeiros”, disse. “A valorização do real tem sido um fator crítico para a indústria.”

Expectativa para 2012
As previsões tendem a ser de crescimento para este ano, mas as ações internas que foram ou venham a ser adotadas pelo Brasil têm limitações. A conjuntura da economia mundial continua a ser um fator determinante para o sucesso industrial.

Segundo Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, entre as medidas adotadas pelo governo brasileiro, no final do ano passado, que podem gerar dados positivos este ano estão a desoneração tributária de alguns produtos como os automóveis e a implantação do Plano Brasil Maior. Esse plano prevê aumentar, até 2014, a competitividade da indústria nacional, a partir do incentivo à inovação tecnológica e à agregação de valor. Essas ações vão levar “a uma redução nas importações e vão amenizar um quadro que estava muito difícil, por exemplo, produtores domésticos de automóveis”, afirmou Flávio Castelo Branco.

Apesar disso, ainda há fatores preocupantes, como a valorização da moeda brasileira e o pouco avanço na agenda de longo prazo da competitividade, agenda esta que poderia se tornar mais concreta, de acordo com Flávio Castelo Branco, com ações como desoneração tributária, redução de custos de mão de obra, melhoria de infraestrutura e logística. Além disso, o ideal, comenta o economista, é “tornar o produto brasileiro mais diferenciado para ter seu próprio nicho de mercado, através da inovação e da melhoria da produtividade e qualificação de mão de obra”.

Podemos utilizar como exemplo a Mitutoyo, que inova constantemente seus produtos, introduzindo novas tecnologias adquiridas no mercado ou desenvolvidas por seus próprios recursos. “Desde o projeto até a concepção dos produtos, almejamos mitigar os erros por parte do ser humano no processo produtivo, ou seja, fazê-lo a prova de falhas. Isto é uma inovação no como pensar na concepção inicial de um produto. Temos a responsabilidade de desenvolver e fabricar produtos que são comercializados em todo o mundo, e faz-se imprescindível introduzir inovações nesses produtos para enfrentar o acirrado mercado mundial, levando em consideração o custo e a qualidade” segundo o presidente da Mitutoyo, Takashi Mizutani.

Recentemente a Mitutoyo desenvolveu um novo equipamento para medição de dureza em materiais, ao qual foram introduzidas neste novo projeto inovações em sua estrutura funcional de modo a melhorar sua qualidade e confiabilidade podendo assim ser competitivo mundialmente aliado à um custo/benefício adequado ao cliente. Prova disso é a aceitação desse produto mundialmente da Ásia à Europa e todo o Continente Pan Americano.

Para o economista Nilton Marques, os setores mais promissores são o de construção civil com evidente influência na preparação para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos e o de máquinas e equipamentos. A redução da taxa básica de juros e o aumento dos investimentos em infraestrutura podem ajudar a normalizar o crescimento, avalia o economista.
Apesar da subutilização do parque industrial, analistas avaliam que o país tem boas chances de fechar 2012 com saldo positivo, a depender da conjuntura internacional.

O faturamento real da indústria de transformação cresceu 5,1% no acumulado do ano passado em relação a 2010. Após o ajuste de sazonalidade, a CNI identificou que o faturamento real do setor recuou 2,7% em dezembro na comparação com o mês anterior, mas teve alta de 3,8% em dezembro de 2011 ante o mesmo mês de 2010.
A CNI divulgou ainda que o indicador cresceu 1,9% no quarto trimestre do ano passado em relação ao trimestre anterior, já descontada a sazonalidade do período. “Em 2011, a indústria de transformação registrou clara dificuldade de reação”, identificaram técnicos da entidade.

O mercado de trabalho industrial seguiu positivo em 2011, com um crescimento de 2,2% no número de vagas na comparação com 2010. Em dezembro, houve aumento de 0,6% no emprego do setor na comparação com dezembro de 2010 e alta de 0,4% ante novembro de 2011, número já dessazonalizado.

A massa salarial dos empregados do setor registrou uma expansão de 5,2% no ano passado na comparação com 2010 e de 6% em dezembro ante dezembro de 2010. Para este dado, não é fornecido o resultado dessazonalizado de novembro para dezembro. Sem o ajuste, a massa salarial cresceu 12,2% em dezembro ante novembro do ano passado. O rendimento médio real subiu 3% no ano passado em relação ao anterior. De acordo com a CNI, esse é o maior crescimento anual do indicador desde o início da série, em 2006. Na comparação entre dezembro de 2011 e dezembro de 2010, o rendimento médio real avançou 5,4%. Para os técnicos da entidade, esse bom resultado é explicado pelo pagamento do 13º salário, participação nos lucros e outros benefícios de final de ano.

Deu a louca no mundo
Parece que os executivos estão liderando o campeonato da tensão. Basicamente, porque não sabem como atender a todas as expectativas criadas pelo novo mundo dos negócios: as empresas precisam ser globais e locais, pequenas e grandes, centralizadas em alguns momentos e descentralizadas em outros. Os funcionários têm que ser ao mesmo tempo autônomos e integrantes de equipe, e os gerentes devem delegar mais, mas também controlar mais. Fácil, não?

Uma pesquisa da Arthur D. Little, feita com 2800 executivos de várias empresas, identificou as principais tensões a que eles se sentem submetidos:
• Têm que pensar a longo prazo, mas devem mostrar resultados imediatos;
• São cobrados por inovação, mas não podem perder eficiência;
• Devem pensar em escala global, mas não podem perder de vista as responsabilidades locais;
• Têm que colaborar, mas também competir;
• Têm que fazer os negócios crescerem, mas sem perda de desempenho;
• Devem trabalhar em equipe, mas são cobrados por sua responsabilidade individual;
• Têm que ser flexíveis, mas não podem deixar de seguir os padrões.