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Matéria Capa 17

 


Assertividade

por Márcio Junior

Vivemos na sociedade do conhecimento, onde o talento humano e suas capacidades são vistos como fatores competitivos no mercado de trabalho globalizado. Porem esse talento e essa capacidade tem que ser vista com outros olhos, olhos de colaboradores e não de concorrentes. Necessitamos resgatar o papel do ser humano na organização, a fim de torná-los competentes. É com este cenário que as organizações devem ter a visão de que o Capital Humano é o seu grande diferencial.

A real vantagem competitiva no mercado não está representada no financeiro ou nos altos investimentos em tecnologia, mas nas pessoas que compõem a organização. O setor de R. H. tem uma grande responsabilidade na formação do profissional que a instituição deseja, objetivando o desenvolvimento e crescimento da instituição como o do próprio funcionário, tido como colaborador para adquirir os resultados esperados.

Para isso o R.H. procura conscientizar esse colaborador de que suas ações devem ser respaldadas nos seguintes princípios: Desenvolvimento responsável e ético de suas atividades, capacidade de atuação baseada nos princípios da gestão empreendedora, capacidade de realização de tarefas que incorporem inovações tecnológicas, capacidade de trabalhar em rede, conhecimento da missão e dos objetivos institucionais da organização que atua; dominar o conteúdo da área de negócio da organização, capacidade de atuar como consultor interno e capacidade de atuar de forma flexível. Este último requer uma atenção especial, pois quando se solicita a capacidade de atuar de forma flexível, nem todos conseguem ser assertivos. E assertividade é a capacidade de expressar seus sentimentos e fazer valer os seus próprios direitos, respeitando os sentimentos e direitos dos outros. Comunicação assertiva é direta, aberta, honesta, e esclarece as necessidades de alguém para outra pessoa. Assertividade vem naturalmente para alguns, mas é uma habilidade que pode ser aprendida. As pessoas que dominam a habilidade da assertividade são capazes de reduzir significativamente o nível de conflito interpessoal em suas vidas, e consequentemente o estresse.

A questão da expressão adequada de sentimentos, abordada na terapia comportamental com o conceito de assertividade, vem sendo estudada pela Psicologia há quase cinquenta anos. Buscando promover comportamentos assertivos, muitas definições já foram propostas, diversos inventários foram criados e treinamen¬tos foram desenvolvidos para indivíduos com dificuldades para expressar seus sentimentos em situações interpessoais. Dentre as diversas definições propostas para o comportamento assertivo, interessa-nos especialmente a de Rich e Schroeder (1976), de acordo com a qual a assertividade consiste de repertórios autodescritivos eficazes em contextos sociais específicos, tal definição oferece uma visão mais funcional no sentido de indicar variáveis controladoras do comportamento assertivo, portanto mais coerente com a Análise do Comportamento.

A assertividade é uma estratégia de comunicação que é intermédiária entre duas situações opostos: o comportamento agressividade e o comportamento passivo.

Alguns autores a definem como sendo um comportamento comunicacional de maturidade, no qual o sujeito não agride, não ofende e nem desrespeita o outro, mas também não se submete à vontade de outras pessoas; contudo, o individuo que é assertivo exprime as suas convicções e defende os seus direitos, sendo a expressão de sentimentos de maneira socialmente adequada, preservando tanto os direitos/interesses do indivíduo que responde assertivamente, quanto os de seu interlocutor.

O comportamento assertivo pode envolver a produção de consequências reforçadoras diversas tanto para o indivíduo que age assertivamente, quanto para o grupo com o qual interage. O comportamento assertivo pode também produzir consequências aversivas, sendo que ambas – as reforçadoras e as aversivas – podem constituir um produto imediato ou atrasado desse comportamento. Em contraste, os indivíduos que se comportam de forma agressiva tendem a empregar táticas que são desrespeitosos, manipuladoras, degradante ou abusiva. Eles fazem suposições negativas sobre os motivos dos outros, pensam em termos de retaliação, e não respeitam o ponto de vista alheio. Geralmente ganham à custa dos outros e criam conflitos desnecessários.

Já os indivíduos passivos não sabem como se comunicar de maneira adequada. Tem uma tendência a temer conflitos, tanto é que deixam de satisfazer suas necessidades e mantêm seus sentimentos em segredo a fim de “manter a paz”. Permite que os outros vençam, enquanto eles perdem. O problema deste comportamento é que todos os envolvidos perdem, pelo menos até certo ponto.

No ambiente de trabalho, os comportamentos de cada colaborador contribuem de alguma maneira para o produto final ou serviço prestado pela empresa. A forma como os colaboradores interagem uns com os outros define aquilo que é comumente referido como a “cultura” da organização. Práticas culturais específicas são geralmente adotadas porque produzem consequências benéficas para o grupo que as pratica. Quando se propõe uma mudança cultural, é preciso ter clara a ligação entre as mudanças propostas e as consequências que essas trarão para a empresa. Ao treinar funcionários a serem mais assertivos quando se comunicam uns com os outros, por exemplo, é preciso garantir que o resultado obtido com esse tipo de treinamento seja relevante para a organização, caso contrário tal treinamento acarretará em perda de tempo e dinheiro. Ou seja, o benefício da adoção de tal prática, mesmo que a longo prazo, deve ser maior que o custo de sua execução.

Em outras palavras, você é capaz de articular seus desejos e necessidades para a outra pessoa? Ser assertivo é completamente diferente de ser passivo ou agressivo. “Assertividade não é característica inata, você pode desenvolver no decorrer do tempo de acordo com a necessidade. O princípio para desenvolver esta ferramenta é bem simples: respeito ao próximo. Gostar de gente é fundamental, e quando sentimos amor pelo ser humano, a autoconfiança aumenta, a insegurança e a vulnerabilidade vão embora e nos torna pessoas firmes, decididas, capazes de liderar sem que o nosso liderado se sinta menosprezado e amedrontado. Ser assertivo é afirmar com segurança e confiança aquilo que acreditamos, de forma a convencer o próximo de nossa crença ou ideias”, disse a psicóloga da Nova Recursos Humanos, Liria Cuesta.

Se você está chateado com seu chefe sobre sua avaliação de desempenho, você é capaz de expressar sua opinião de forma diplomática e profissional? Novamente, isso é muito diferente dos outros estilos. Se você é passivo, você pode engolir seus sentimentos e se tornar ressentido, o que pode desbastar sua autoestima e aumentar o estresse e ansiedade. Se você é agressivo, você pode amaldiçoar o seu chefe e pedir demissão. Se você é passivo-agressivo, você pode chamá-lo de doente e dar o tratamento do silêncio ao seu chefe.

Por que algumas pessoas não são assertivas?
Por que algumas pessoas são assertivas, enquanto outros não são? Muitos fatores podem contribuir. O estresse é um deles. A resposta de luta ou fuga é uma adaptação evolutiva que nos puxa para a agressão ou fuga, e longe de assertividade, calma relaxada. O sistema de crença da pessoa também desempenha um papel. Essas posturas assertivas-sabotagem incluem: Ser meio agradável e ir junto com os outros ou não importar-se em ser assertivo, pois ninguém vai prestar atenção mesmo. “Ele vai me deixar”, por isso que é tão importante para tornar-se consciente dessas crenças. Desta forma, você pode examiná-las de forma clara, racional e decidir o que fazer.

Pessoas com baixa autoestima podem se sentir inadequadas e ter dificuldades para encontrar a sua voz. Outros podem temer conflito, perdendo sua relação crítica, ou de rejeição.

Se for uma mulher, pode ter sido criada para anular as suas necessidades e opiniões e apoiar e concordar com os outros. Se for um homem, pode ter sido levantado a reagir agressivamente com o ponto de vista de outra pessoa. Ou justamente o contrário e querer ser completamente diferente.

Como ser assertivo?
Assertividade é uma habilidade que requer prática. Ela sempre pode ser mais fácil para você engolir seus sentimentos, gritar para alguém ou dar-lhes o tratamento do silêncio. Mas a assertividade é uma estratégia melhor. Funciona porque respeita você e os outros.

Como Paterson escreve em O livro Assertividade: “Através de assertividade desenvolvemos contato com nós mesmos e com os outros.

Nós nos tornamos seres humanos reais, com ideias reais, diferenças reais e falhas reais. E nós admitimos todas essas coisas. Não tente tornar-se alguém do espelho. Nós não tentamos suprimir alguém da singularidade. Nós não tentamos fingir que somos perfeitos. Nós nos tornamos nós mesmos”.

Estas são algumas ideias para você começar.

1. Comece pequeno.
Você não vai tentar escalar uma montanha antes de ler um manual, pratique em uma parede de pedras e depois passe para picos maiores. Optar pelo despreparo apenas prepara-o para o fracasso. Paterson sugeriu tentar ser assertivo em situações de tensão leve, como pedir para ser assentado em um local diferente em um restaurante. Em seguida, trabalhar suavemente até situações mais duras, tais como falar com seu cônjuge sobre questões de infidelidade.

2. Aprenda a dizer não se preocupe.
Pessoas que dizem não ser egoísta. Não são. Em vez disso, é importante estabelecer limites saudáveis para ter relacionamentos saudáveis.

3. Deixe de lado a culpa.
Ser assertivo pode ser difícil, especialmente se você for passivo ou que tenta agradar a maioria. Mas lembre-se que ser assertivo é vital para o seu bem-estar. O comportamento assertivo envolve a defesa de si mesmo. Respeitar os outros não é errado, é saudável. Às vezes, você pode estar inadvertidamente perpetuando sentimentos de culpa com pensamentos negativos ou preocupações. Substitua esses pensamentos negativos. Substitua o “eu sou uma pessoa mal por não emprestar meu dinheiro”; com um mantra positivo: “eu mereço ter estabilidade financeira e não me colocar em perigo”.
A respiração profunda também ajuda a aliviar as suas preocupações e ansiedade. “Respire o que você precisa de paz, força, serenidade. E expire para fora sentimentos de ansiedade, culpa ou vergonha”.
Se você ainda sentir-se desconfortável, é mais fácil pensar por alguém que amamos do que em nós mesmos.

4. Expresse seus sentimentos e necessidades.
Não suponha que alguém vá automaticamente saber o que você precisa. Você tem que comunicar-se. Mais uma vez, ser mais específico, claro, honesto e respeitoso. Tome o exemplo de pedir comida em um restaurante. Você tinha acabado de pedir um sanduíche, ao invés de pedir um “atum em pão de centeio com fatias de queijo cheddar e tomate.” Se você está preocupado em perturbar alguém, use declarações menos defensivas.
Em vez de dizer, “Você não tem ideia de como esta minha vida”, você pode dizer: “Estou exausto e preciso de mais ajuda com as crianças.” O que também ajuda a diminuir sua raiva e dor, falando nisso, disse ela: “Eu me sinto tão só e preciso de você para passar um tempo comigo.”

5. Quais são os Benefícios da Assertividade?
Assertividade afeta muitas áreas da vida. As pessoas assertivas tendem a ter menos conflitos nas suas relações, que se traduz em menos estresse em suas vidas. Busca ter suas necessidades atendidas (o que também significa menos estressante sobre as necessidades não satisfeitas), e ajuda outros a terem suas necessidades atendidas. Tendo relações mais fortes, garante que numa situação difícil você tenha apoio das pessoas que contam com você. Isso também contribui para a gestão de estresse, e torna seu corpo mais saudável.
Contrastando com isso, a agressividade tende a afastar os outros e criar um estresse desnecessário. Aqueles na extremidade do comportamento agressivo tendem a sentir-se atacado e, muitas vezes evitar o indivíduo agressivo. Com o tempo, as pessoas que se comportam de forma agressiva tendem a ter uma série de relacionamentos fracassados e pouco apoio social, e nem sempre entendem que isto está relacionado com o seu próprio comportamento. Ironicamente, muitas vezes sentem-se como vítimas da trama.
Pessoas passivas visam evitar o conflito, evita a comunicação sobre suas necessidades e sentimentos, mas esse comportamento prejudica as relações no longo prazo. Eles podem sentir-se como vítimas, mas continuam a evitar o confronto, tornando-se cada vez mais irritadas, até que, quando finalmente dizem algo, sai de forma agressiva. A outra parte nem sequer sabe que existe um problema até o indivíduo anteriormente passivo, explodir. Isto leva a ressentimentos, relacionamentos mais fracos e passivos.

Como alguém se torna mais assertivo?
O primeiro passo para se tornar mais assertivo é ter um olhar honesto sobre si mesmo e nas suas respostas. As respostas às seguintes perguntas irá ajudá-lo:
• Você tem dificuldade em aceitar críticas construtivas?
• Você encontra-se dizendo “sim” aos pedidos que você realmente deve dizer “não”, apenas para evitar que as pessoas fiquem decepcionadas?
• Você tem dificuldade para expressar uma diferença de opinião com os outros?
• As pessoas tendem a sentir-se alienadas por seu estilo de comunicação quando você discorda deles?
• Você se sente atacada quando alguém tem uma opinião diferente da sua?
Se você respondeu sim a várias delas, você pode se beneficiar da aprendizagem de competências de assertividade.

Ser assertivo pode, em alguns casos, não ser essencial para a melhoria dos processos de produção de determinada empresa. Somente quando alguns comportamentos (excesso ou déficit) são identificados como impactando a qualidade do trabalho sendo produzido, que intervenções comportamentais devem ser adotadas. Ao se realizar um diagnóstico de problemas organizacionais é importante considerar o suporte ambiental necessário para que o desempenho adequado possa ocorrer.

Esse suporte ambiental inclui, por exemplo, informação a respeito dos objetivos a serem cumpridos, instrumentos e equipamentos a serem utilizados, e incentivos para que o comportamento ocorra . Isso significa que problemas organizacionais não necessariamente refletem problemas com os trabalhadores. Se um diagnóstico organizacional concluir que uma melhoria nas práticas de feedback, por exemplo, contribuiria para os resultados da empresa e, se for identificado que os funcionários não “sabem” fornecer informações uns aos outros de uma forma adequada, programas de treinamento em assertividade, por exemplo, podem ser implementados. Muitos dos programas de treinamento em assertividade em organizações incluem o ensino de estilos de comunicação de “passivo” para “assertivo”. Em alguns casos, também é importante refinar formas de comunicação percebidas como “agressivas”. Quando um funcionário aponta os erros de um outro de forma agressiva, é provável que tal comentário gere uma reação emocional negativa naquele que recebe a informação. Tal reação emocional pode diminuir a probabilidade da informação sobre o desempenho feedback alterar o comportamento de quem a recebeu. Assim, a forma como os funcionários interagem uns com os outros é extremamente importante já que afeta diretamente como informações são recebidas e possivelmente interpretadas. Programas de treinamento em assertividade geralmente incluem, entre outros, procedimentos de modelação, tarefas progressivas, e exercícios situacionais. Procedimentos de modelação incluem exercícios em que o treinador demonstra como os indivíduos devem se comportar e em quais situações, na expectativa de que estes possam aprender a partir de observação e imitação. Tarefas progressivas envolvem interações simples, em situação real (ex., pedir informação) e que, aos poucos, vão aumentando em complexidade até que o indivíduo se sinta confortável em situações mais desafiadoras (ex., discordar com o chefe). Em muitos casos, o treino em assertividade ocorre em situações hipotéticas que simulam aquelas encontradas no dia-a-dia da empresa. É importante ressaltar, entretanto, que um bom desempenho durante os exercícios situacionais não garante que o indivíduo comporte-se da mesma maneira no ambiente natural. Assim, recomenda-se que, quando possível, o treinamento ocorra no próprio ambiente de trabalho.