Exper News - Matéria de Capa

Matéria Capa 18

 


Absenteísmo

por Márcio Junior

Os temas saúde e segurança merecem a atenção dos gestores dentro de um ambiente de trabalho. A retomada das obras de infraestrutura e construção imobiliária elevou o número de acidentes de trabalho que resultam em mutilações ou mortes no Brasil. Entre janeiro e outubro de 2011, pelo menos 40.779 trabalhadores foram vítimas de acidentes graves de trabalho, das quais 1.143 morreram, segundo o

Ministério da Saúde. O número total é 10% maior do que o de igual período do ano anterior (37.035). Por isso, proteção e prevenção no ambiente de trabalho estão ganhando maior visibilidade no mercado.

Entre o ranking das doenças que mais afastam os trabalhadores, estão as dorsopatias, mais conhecidas como dores nas costas, tendinites e tenossinovites, relacionadas a movimentos repetitivos das mãos e dos punhos, traumatismos de joelho e perna e transtornos de humor. Essas doenças resultam em dores, fadiga, estresse e declínio do desempenho profissional.

Tais problemas podem estar diretamente ligados ao absenteísmo, termo utilizado para especificar ausência frequente no trabalho. “A desmotivação pode até ser uma razão para o absenteísmo, mas não é desculpa. Enquanto as pessoas dependerem que algo mude no trabalho para se sentirem motivadas, continuarão vivendo a mesma situação! Porque a motivação provocada por fatores externos é fogo que apaga logo, não dura muito tempo. A única forma de motivação que se sustenta é a que se origina do nosso interior, da paixão por um objetivo de vida, da vontade de superar desafios, da gratidão ao Universo pelo ganhã-pão de cada dia”, salienta Márcio Junior, palestrante e autor do livro Um dia maravilhoso. “Por isso, a pessoa que se sente desmotivada no emprego tem duas saídas: mudar de trabalho para fazer aquilo que a apaixona ou criar formas de se automotivar e continuar fazendo o mesmo trabalho”, salienta Leila Navarro, palestrante motivacional no Brasil e no exterior e autora de 13 livros.

Para evitar o absenteísmo, é indicada a ergonomia. Essa ciência tem como objetivo alcançar o bem-estar do ser humano no ambiente de trabalho, mantendo a segurança e a organização. A ergonomia pode ser compreendida como a ciência que estuda a adaptação do trabalho ao homem, e não do homem ao trabalho. Ela tem-se tornado uma preocupação constante nas empresas, visto que já foi comprovado que um funcionário saudável e feliz com seu ambiente de trabalho produz mais e melhor, o que reflete em menos retrabalho, menos afastamentos por licença-saúde, menos substituições e, consequentemente, mais lucro para a empresa. Fornecer ao trabalhador condições ideais não requer um grande investimento.

O ergonomista Marcos A. Domaneschi, filiado à Associação Brasileira de Ergonomia, “indica estratégias simples como a prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada e saudável, bastante ingestão de líquidos e sono regular. Além disso, a boa convivência com os amigos e colega de trabalho também contribuem para aumentar o bem-estar e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, permitindo mais saúde e menos ausência no trabalho”.

As pequenas ações podem ser bastante úteis para evitar o absenteísmo. Pessoas que trabalham sentadas devem levantar a cada duas horas, e se trabalham muito tempo em pé, devem sentar-se no mesmo intervalo. Quem trabalha no computador, a cada uma hora e meia, deve realizar alongamentos dos braços, aconselha. Para os colaboradores que carregam peso constantemente, vale ficar atento ao peso. O limite do peso da carga está relacionado à postura e ao peso. Por exemplo, para um homem que for carregar um peso de uma mesa para outra mesa, a carga deve ser de no máximo 23 kg, mas se for carregada do chão para uma mesa, deve pesar até 15 kg. O peso depende de como você vai manuseá-la. Além disso, vale lembrar que devemos evitar andar mais de 10 passos carregando cargas pesadas.

Pessoas desmotivadas tendem a instintivamente criar mais motivos para estarem faltando ao trabalho.
“Cerca de 80% dos colaboradores de empresas e organizações no Brasil não faz exatamente aquilo o que gosta ou não tem um ambiente de trabalho dos mais propícios. Desses, quase a totalidade tende a faltar ao trabalho dado o mínimo sinal de necessidade pessoal” conclusão colocada pelo consultor e psicólogo, Manoel de Barros Cavalcante Filho. Mas este ponto revela outro ponto estarrecedor: quem alega desmotivação para faltar ao trabalho não conhece o real significado e sentido da palavra motivação. Motivação, de acordo com modernos gestores, não deve vir de fora, mas de dentro da pessoa.

Temos escutado reclamações de amigos empresários sobre alguns de seus colaboradores. Muitos deles alegam que essas pessoas se ausentam constantemente do trabalho no horário de expediente. Para justificar essas saídas, alegam desmotivação, além de afirmarem que esse sentimento sobre o trabalho acaba afetando também sua vida pessoal. Mas o que isso significa? Existe uma maneira desses colaboradores se automotivarem?

A desmotivação pode até ser uma razão para o absenteísmo, mas não é desculpa. Enquanto as pessoas dependerem que algo mude no trabalho para se sentirem motivadas, continuarão vivendo a mesma situação! Porque a motivação provocada por fatores externos é fogo que apaga logo, não dura muito tempo. A única forma de motivação que se sustenta é a que se origina do nosso interior, da paixão por um objetivo de vida, da vontade de superar desafios, da gratidão ao Universo pelo ganhã-pão de cada dia. Por isso, a pessoa que se sente desmotivada no emprego tem duas saídas: mudar de trabalho para fazer aquilo que a apaixona ou criar formas de se automotivar e continuar fazendo o mesmo trabalho.

Algumas pessoas podem achar que mudar de trabalho é uma atitude radical, concordo. Mudar para o quê, para onde? E se não der certo? O mercado está difícil, está em crise, tenho que sustentar mulher e filho. Tudo isso é frequentemente ouvido nesses casos. Mas esse tipo de dúvida só ocorre para quem ainda não reconheceu seu propósito de vida – ou seja, aquilo que veio fazer neste mundo. Propósito é algo que todo ser humano sobre a face da Terra possui, sem exceção, e duas coisas que ajudam a identificá-lo são o autoquestionamento e o autoconhecimento. Autoquestionar-se é perguntar-se coisas como se eu não tivesse que me preocupar em pagar as contas, com o que gostaria de trabalhar? ou qual é minha meta? Já o autoconhecimento significa, entre outras coisas, identificar seus talentos, as habilidades individuais que possuímos para fazer determinada coisa de uma maneira que é só nossa.

Para quem escolher a segunda saída, que é automotivar-se para continuar fazendo o mesmo trabalho, um bom começo é reconhecer a relevância daquilo que faz. Todo trabalho, por mais aborrecido que pareça, tem importância, tem valor, faz diferença para a vida de alguém – a começar pela pessoa que que realiza o trabalho! Consultores de carreira sugerem também que o funcionário crie desafios para si mesmo, como melhorar a produtividade, a rapidez ou a qualidade com que exerce suas funções, propor novos projetos e buscar novas tarefas. Essas são atitudes que podemos ter por nós mesmos, em benefício de nossa autoestima, sem esperar recompensas ou reconhecimentos imediatos.

Nada muda se a gente não mudar. Colocar-se como vítima da falta de motivação não leva a nada; é preciso que a gente assuma a responsabilidade por nossa vida e tome as iniciativas necessárias para mudá-la, torná-la mais desafiadora, interessante e prazerosa. Isso é automotivar-se!

Além disso tudo, pessoas com alta capacidade de motivar-se dificilmente ficam doentes, pois se sabe que boa parte dos males físicos têm origem psíquica, ou seja, vem da mente, do chamado estado de espírito. Médicos do trabalho, em geral costumam investigar a origem de afastamentos por doença. Boa parte deles começou com estresse, com insatisfação em relação ao tipo ou desarmonia com o trabalho realizado, segundo dados da Associação Brasileira da Qualidade de Vida.

No Brasil, as despesas aumentaram 31,8% com a concessão do auxílio-doença. Em 2000, o auxílio-doença representava 3,2% dos gastos da previdência social; em 2004, esta despesa subiu para 7,5%. A Organização Pan-americana de Saúde acredita que mais de 70% das empresas não apresentam condições ergonomicamente (disposição física do espaço de trabalho) favoráveis para a realização das tarefas solicitadas a seus empregados.

Por outro lado, o índice de absenteísmo por doença vem decrescendo nos últimos 20 anos, enquanto o índice de absenteísmo por doenças psíquicas vem aumentando. Isto se deve às mudanças que vem ocorrendo em função da globalização, entre as quais se incluem a terceirização, a reengenharia, o downsizing, maior produtividade, aumento do estresse e medo do desemprego, medo da crise.

A desmotivação, queiramos ou não, “empurra” as pessoas cada vez mais para diminuir sua carga horária e para faltar se algum motivo pessoal surgir. Um trabalho desestimulante, por mais que pague um salário, deixa de ser prioridade número um em função de uma dorzinha de dente, de uma enxaqueca, de uma febrezinha, ou de uma necessidade em acompanhar minha esposa em uma “importante consulta médica”. Ou seja, passamos e relegar o trabalho ao segundo plano em função de ações que não são “vida ou morte”, que não são realmente fatos extraordinariamente urgentes.

Mas o que é ABSENTEÍSMO
Matematicamente é o grau de ausência no trabalho de mão de obra empregada. É obtido através da fórmula: nº de faltas dividido pelo número de empregados multiplicado por 100 e dividido pelo nº de dias úteis de trabalho disponíveis.

Consequências
O absenteísmo provoca problemas sérios às empresas como, por exemplo, desorganização das atividades; queda na qualidade dos serviços prestados; limitação de desempenho e até mesmo obstáculos para os gestores.

Prevenção
Existem alternativas que podem ser aplicadas por qualquer organização, independentemente do segmento ou tamanho. Dentre essas se destacam: integração; transparência e mapeamentos sistemáticos; estimular a educação em todos os níveis, ou seja, do colaborador ao CEO - desde o dia em que se dá da admissão até o desligamento.

Conheça o Presenteísmo
O presenteísmo significa estar sempre presente ao trabalho, porém doente. Estas vítimas não faltam, mas apresentam sintomas como dores (de cabeça, nas costas), irritação, alergias, etc. Com isto, há queda da produtividade e prejuízos para a empresa.

Um estudo realizado pelo Institute for Health and Productivity Studies, dos Estados Unidos, mostrou que as empresas americanas chegam a perder 150 bilhões de dólares/ano devido à presença de funcionários doentes apresentando falta de rendimento nas suas atividades. No Brasil, estima-se que esta cifra pode chegar a 3% do Produto Interno Bruto, ou seja, 42 bilhões de reais/ano.

Entre os sintomas mais comuns do presenteísmo estão: dores musculares, cansaço, ansiedade, angústia, irritação, depressão, insônia e distúrbios gástricos. Entretanto, o grande gerador do presenteísmo é o estresse. De acordo com o International Stress Management Association, os oito países mais estressados do mundo, em ordem decrescente, são: Japão (70%), Brasil (30%), China (24%), Estados Unidos (20%), Israel (18%), Alemanha (16%), França (14%) e Hong Kong (12%). No Brasil, segundo o mesmo instituto, três em cada dez brasileiros apresentam problemas de saúde devido ao estresse no trabalho.

Estes números têm gerado nas empresas uma nova visão, sendo que algumas delas já apresentam projetos direcionados para a manutenção da saúde de seus funcionários. Isto inclui: reeducação postural global (RPG), massagens, drenagem linfática, ioga, meditação, ginástica laboral, alimentação balanceada, check-ups periódicos, palestras motivacionais, etc. Porém, menos de 5% das empresas oferecem estes tipos de programas.

De uma forma resumida, o importante é não ficar doente, principalmente se o empregado é do tipo motivado e que “veste a camisa” da empresa. Se a mesma não apresenta nenhum programa visando uma melhoria da qualidade de vida de seus empregados, cabe exclusivamente a eles buscar atividades que diminuam o estresse, tanto pessoal como no ambiente de trabalho.
Mudança de emprego, melhoria do clima interno da empresa, mudança de função, atividades físicas, férias, desenvolvimento de um hobby e trabalho voluntário são algumas sugestões para se viver menos doente e mais feliz.

Ações efetivas para reduzir o Absenteísmo
Quando o trabalhador se ausenta por alguns dias do local de trabalho por motivo de doença, o impacto financeiro disso sobre a empresa nem sempre recai apenas sobre as atividades desempenhadas pelo trabalhador ausente. Ele repercute muitas vezes por toda a organização, sobretudo se o empregado pertencer a um grupo cuja produção tem implicações praticamente imediatas sobre o cronograma. Até recentemente, porém, as empresas tinham muita dificuldade em mensurar o impacto do absenteísmo por meio de dados concretos.

Algumas ações efetivas que podem contribuir para reduzir os índices de absenteísmo e mantê-los sob controle:
A adoção do EPI - Equipamento de Proteção Individual, que vem sendo usado por funcionários que atuam nos departamentos onde o risco não pode ser totalmente eliminado ou controlado de forma coletiva. A forma de utilização e a importância do EPI devem ser divulgadas durante os treinamentos, no momento da integração de novos colaboradores e reforçados durante os encontros da CIPA -

Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e em campanhas de segurança, como a SIPAT, por exemplo.
Adoção de um programa de melhoria da Qualidade de Vida. Um programa com o objetivo de estimular a melhoria da qualidade de vida em casa e no trabalho - contribui significativamente para reduzir outros fatores causadores de absenteísmo, tais como, a insatisfação no trabalho, alcoolismo, problemas domésticos, e doenças. Para auxiliar no combate a problemas como estes, sugerimos a implementação do Programa 5S, que em conjunto com outras ações que geram benefícios corporativos, deverá ser dirigido a todos os colaboradores, possibilitando a sua extensão para os seus familiares, com ações que incluem a conscientização sobre os seus 5 Sensos. Além destas ações, destaco as campanhas de prevenção contra doenças como hipertensão, enfermidades relacionadas ao aparelho respiratório, verminoses, câncer de próstata, AIDS, colesterol e diabetes. Além disso, é recomendável que todos os colaboradores da organização participem das aulas de ginástica laboral que poderão ser coordenadas por pessoas devidamente preparadas.

A ergonomia também contribui para a redução do absenteísmo através da adequação de esteiras, bancadas e cadeiras ergonômicas na área de produção, montagens e manuseio de produtos e equipamentos. Na administração, por exemplo, é recomendável o uso de apoio de punho para utilização de micros, evitando a DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. As cadeiras também deverão ser ajustáveis com descansador de pés. Nas áreas de carregamento manual de peso, deverá existir a orientação quanto à postura correta da coluna.

Faça Gestão à Vista informando o índice corporativo, os resultados do Programa 5S, e os números de falta por setor.
Outra ação de incentivo que combate o absenteísmo na organização é a adoção de um programa que premia a assiduidade dos colaboradores. Essa premiação motiva o comprometimento das pessoas com a empresa e aumenta a dedicação ao trabalho.
Com o objetivo de contribuir para com a melhoria da produtividade e do desempenho funcional de seus clientes, a Advance Consultoria desenvolveu um Workshop com o foco específico para a redução dos custos com o absenteísmo na organização, utilizando de metodologias de melhoria contínua para assegurar a efetividade dos planos de ações preventivas e corretivas. Este Workshop é realizado no formato in-company e desenvolve-se com o objetivo de atender as expectativas e necessidades específicas de cada cliente.