Exper News - Matéria de Capa

Matéria Capa 23

 


Indústria Verde

O fenômeno da globalização tem trazido às empresas a necessidade de adaptação cada vez mais às novas exigências mercadológicas. Consequência disso é a necessidade de criação de normas de caráter mais abrangente e de aceitação internacional, o que tem gerado uma onda de normalização em escala planetária, principalmente quanto a qualidade do produto e da produção em si.

Outra consequência dessa globalização é o aumento da competitividade, que por sua vez motivou a necessidade de um melhor aprimoramento técnico e de qualidade. Isto trouxe também um maior controle de qualidade dos produtos, que passou a ser aferido mediante atendimento de normas aceitas mundialmente, comprovadas através de uma nova forma de garantia: a da certificação.

Sugiram então nos países desenvolvidos várias entidades de certificação com suas normas, mas vem se destacando a Internacional Organization of Standarlization, a ISO, federação mundial das organizações nacionais de normalização sediada em Genebra, que lançou entre outros a ISO 9000 que visa o sistema de qualidade do produto e teve grande aceitação nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Essa normalização foi e é a mais utilizada e as empresas que obtiveram sua certificação saíram na frente na competição mercadológica, em vista da rigidez de suas exigências. No Brasil mais de 1000 empresas a obtiveram.

Uma das formas encontradas para demonstrar essa adaptação, foi a criação de etiquetas ou selos ecológicos, ou verdes, os quais são concedidos a produtos que passaram por um controle de qualidade ambiental e estão aptos a entrar no mercado com menor possibilidade de causar prejuízo ao ambiente. Ao mesmo tempo o selo ecológico passou a ser um incentivo e estimulo a um compromisso ambiental dos fabricantes, bem como também motiva o consumidor a ter uma postura mais consciente da problemática em questão, selecionando produtos menos danosos.

Assim, com essa nova forma de garantia ecológica de produtos industrializados, estaremos combatendo cada vez mais a degradação ambiental com medidas mais concretas e efetivas, propiciando a melhoria da qualidade de vida para nós seres humanos e para as demais espécies do planeta Terra.

As indústrias na gestão hídrica
O crescimento populacional aliado ao mau gerenciamento político na área social, que já vem se tornando perene, tem contribuído para aumentar o déficit habitacional e de trabalho, assim como vem aumentado a pobreza, com reflexos diretos nos problemas ambientais existentes em nosso país. Esta situação vem causando enormes pressões sobre o ambiente natural, cultural, artificial e do trabalho com prejuízos à toda população e refletindo também diretamente na gestão dos espaços urbanos e rurais.

Em termos hídricos, a gestão pública tem-se concentrado na força dos Municípios, pois são eles pessoas jurídicas de direito público, autônomos e expressamente reconhecidos como entes federados em posição de igualdade com a União e o Estado, notadamente no que se refere à proteção da qualidade de vida. Tanto é que o art. 23 da Constituição Federal coloca a proteção de bens de valor histórico, artístico e cultural, monumentos, as paisagens notáveis e os sítios arqueológicos, a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas e ainda a preservação das florestas, fauna e da flora, entre as matérias de competência comum da União, Estados e Municípios. Dessa forma, os Municípios brasileiros têm o dever de proteger o meio ambiente, devendo incluir cada vez mais em sua administração a gestão ambiental, pois hoje em dia não se pode mais dissociar a exploração dos recursos naturais do planejamento urbano e industrial.

Dessa forma, por sua importância o setor industrial não pode deixar de participar da gestão hídrica através de atuações junto aos Comitês, Subcomitês e Agências de Bacias Hidrográficas, bem como aos consórcios intermunicipais, o que é de grande importância para a preservação e recuperação dos recursos naturais, consequentemente na proteção ambiental.

A criação da Agência Nacional de Águas-ANA, pela Lei 9.984, de 17.07.00, à qual compete formular a Política Nacional dos Recursos Hídricos, também fortaleceu a participação da sociedade ao dizer que cabe a ela promover a coordenação das atividades desenvolvidas no âmbito da rede hidrometeorológica nacional, em articulação com órgãos e entidades públicas ou privadas que a integram, ou que dela sejam usuárias, contemplando aí também a necessidade de participação das indústrias no processo de gerenciamento das águas.

A Eco Liberty é uma empresa brasileira que presta serviços de lavagem veicular ecológica, que além de remover a sujeira com eficiência o produto dá brilho e conserva, e o processo de lavagem utiliza apenas 300 ml de água, enquanto as lavagens tradicionais gastam entre 200 a 500 litros. “A lavagem é realizada por meio de aplicação de uma cera líquida que se infiltra nos depósitos de sujeira. A limpeza acontece no processo de flotação que separa as partículas de sujeira da superfície a ser limpa, bastando retirar o produto sem que haja qualquer tipo de abrasão, comenta o diretor da Eco Liberty, Robson Corrêa.

Administração ambiental
O aparecimento da economia mundial globalizada e suas consequências vêm trazendo às empresas oportunidades de expansão e aquelas que conseguem perceber esta nova tendência mundial, poderão criar mercados cada vez maiores, graças as novas tecnologias da comunicação e seus produtos poderão alcançar consumidores de outros países com menos esforço.

Para isso os empresários e as empresas devem desenvolver uma nova filosofia e adequar seus parques industriais e seus produtos a um fator cada vez mais importante na comercialização: o fator ambiental. A globalização, a expansão das indústrias e a sua necessária adaptação ao referido fator ambiental para que haja menor agressão ao ambiente, exige do administrador de empresas moderno uma nova visão de trabalho e consequentemente uma nova forma de administração: a administração ambiental.

Dentre as atividades da necessária administração ambiental podemos sugerir que as empresas tentem: minimizar o impacto dos resíduos da produção no ambiente; reciclar e reutilizar produtos, bem como elaborar sua contabilidade ambiental colocando no ativo o imobilizado referente aos equipamentos adquiridos visando à eliminação ou redução de agentes poluidores com vida útil de um ano; o gasto com pesquisa e desenvolvimento de tecnologia a médio e longo prazo; os estoques relacionados com o processo de eliminação dos níveis de poluição; creches, empregos gerados, áreas verdes etc. E no passivo toda agressão que se pratica ou praticou contra o Meio Ambiente; o valor dos investimentos para reabilitá-lo; as multas; indenização; gastos com projetos e licenças ambientais; restrições a empréstimos, entre outros, conforme normas da Ibracon - Instituto Brasileiro de Contabilidade (NP 11).

As empresas deverão também executar programas internos de educação ambiental visando conscientizar seus empregados das novas diretrizes, sem o que dificilmente conseguirá obter sucesso neste empreendimento. Deve-se, ainda, ter sempre em mente que a exigência ambiental tem propiciado o surgimento a nível planetário do ecobusiness, ou seja, de negócios e produtos ecologicamente corretos, principalmente nos países ricos, de sorte que se as indústrias nacionais não se adaptarem a estas novas exigências do mercado começarão a perder espaço na comercialização.

Portanto, hoje em dia cada vez mais é importante que as empresas e indústrias em geral providenciem o levantamento de sua posição ambiental através da Contabilidade Ambiental, em especial as potencialmente poluidoras, para que possam estar em sintonia com os novos anseios ambientais e consequência disto obter maior sucesso mercadológico, colaborando também para a obtenção do almejado desenvolvimento sustentável e garantir o direito de todos nós termos um meio ambiente equilibrado e sadio (art.225, da Constituição Federal).

Seguindo esses princípios a Regional do CIESP de Jacareí criou o Núcleo de Educação Ambiental, que desenvolve o Projeto Ecoagentes Mirins, projeto vencedor da VIII Mostra de Ações Sócio ambientais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), na categoria Indústria. Criado em 2008 para os alunos do 4° e 5° ano das escolas EMEF José Éboli de Lima, em Jacareí, e na Escola Estadual Antônio José de Siqueira, no Distrito de São Silvestre, o projeto tem como objetivo formar multiplicadores mirins de ações sustentáveis na comunidade, atuando dentro da escola e também nos bairros onde moram. A iniciativa, que formou e certificou 32 alunos, encerrou o ano com a construção de uma Horta Orgânica na Escola Estadual Prof. José Éboli de Lima com o propósito de difundir a ideia de uma alimentação mais saudável e fomentar o contato das crianças no desenvolvimento das plantas.

O Núcleo encerrou 2012 com o lançamento de um novo projeto, a REAAL – Rede de Aprendizagem e Ação Local, que trouxe uma nova abordagem baseada na autonomia e na auto-organização das pessoas. Antes mesmo de ser lançada a REAAL já contava com o envolvimento de mais de 60 pessoas do Distrito de São Silvestre dispostas a organizar o Festival de Aprendizagem e Ação Local, um evento criado para intensificar a troca de experiências de uma forma descontraída e participativa, prevista para acontecer em março de 2014.

O alto valor das contas de água e luz pesava no bolso de Francisco Severiano Alves, proprietário da Mecânica Chiquinho, parceiro SACHS em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Observando uma experiência ali e outra acolá, somou as dicas da consultoria do SEBRAE e investiu em telhas transparentes quando construiu a nova oficina, há dez anos. Só com isso, viu a fatura cair pela metade. Instalou calhas no telhado para que a chuva fosse para uma caixa d’água de mil litros, em pouco tempo substituída por uma cisterna.

Hoje, 90% da água usada na oficina para lavagem de peças, limpeza e na descarga dos banheiros é pluvial. Além de economizar na conta, o mecânico contribui para a preservação do recurso natural. “É uma mudança cultural”, afirma o empresário, que contagia a equipe com as medidas. “A regra é gastar o mínimo se acendeu, apaga. Ligou, desliga”, ensina. O posicionamento do mecânico Francisco mostra que “pensar verde” tem resultados benéficos para o meio ambiente, mas podem ajudar, também, na economia da empresa. O investimento mais alto na oficina, por exemplo, foi na estrutura de captação de água de chuva, que se pagou com a economia na conta mensal.

A motivação dos seis colaboradores cresceu quando o papelão das embalagens e peças usadas passaram a ser vendidas para reciclagem, e a receita dividida entre a oficina, onde é aplicada na compra de ferramentas. Outra fonte de renda é o óleo usado o empresário estima o ganho de cerca de R$ 300 por mês, ação que evita, ainda, a contaminação do meio ambiente. A empresa coletora envia o produto para uma refinaria para que, depois de tratado, possa ser usado novamente. “O empresário deve ser o exemplo dessas práticas sustentáveis”, explica Francisco.

Além de contribuir para o meio ambiente, ações de eco eficiência como as adotadas pela empresa diminuem custos. Essa é a opinião da economista e consultora do SEBRAE, Dorli Terezinha Martins. Ela afirma que grande parte de ações que resultam em boas práticas ambientais exigem mais comprometimento do empresário do que empenho financeiro. “Em muitos casos, a readequação e a mudança de hábitos na empresa resulta em economia de 30% de energia, 25% de água, e por aí vai”, calcula a especialista.