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Matéria Capa 02

 


O que é Educação Corporativa

por Aparecida de Fátima T. dos Santos e Nayla Cristine Ferreira Ribeiro

A Educação Corporativa consiste em um projeto de formação desenvolvido pelas empresas, que tem como objetivo institucionalizar uma cultura de aprendizagem contínua, proporcionando a aquisição de novas competências vinculadas às estratégias empresariais.

Segundo Jeanne Meister, a Educação Corporativa é um “guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias da organização.

Este fenômeno em crescente expansão tem como sustentação a chamada sociedade do conhecimento, “cujo paradigma é a capacidade de transformação do indivíduo social por meio do conhecimento. Um novo trabalhador é exigido nesse contexto, que enfatiza as competências segundo um comportamento independente na solução de problemas, a capacidade de trabalhar em grupo, de pensar e agir em sistemas interligados, e de assumir a responsabilidade no grupo de trabalho.

A Educação Corporativa se justifica, segundo a literatura, pela incapacidade do Estado em fornecer para o mercado mão-de-obra adequada. Desta forma, as organizações chamam para si essa responsabilidade, defendendo o deslocamento do papel do Estado para o empresariado na direção de projetos educacionais. As empresas ao invés de esperarem que as escolas tornem seus currículos mais relevantes para a realidade empresarial, resolveram percorrer o caminho inverso e trouxeram a escola para dentro da empresa.

Esse modelo educativo oferecido pelas empresas abrange várias modalidades de ensino, tais como: cursos técnicos (inglês, informática, etc.), educação básica (ensino fundamental e médio), pós-graduação lato sensu, entre outros.

Ele emerge na década de 1950 nos Estados Unidos, a partir da crítica ao tradicional modelo de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) das empresas, considerado então obsoleto para os padrões do novo modelo produtivo:

As características de um setor de Treinamento e Desenvolvimento padrão se tornaram tão desgastadas que melhorias ou mesmo uma reengenharia mais forte não seriam suficientes para adequá-lo às novas necessidades de educação no espaço das organizações

Naquele momento as empresas investiam nessa modalidade com o objetivo de ensinar aos trabalhadores o como fazer. As empresas inicialmente tinham como foco desenvolver qualificações isoladas, para a criação de uma cultura de aprendizagem contínua, em que os funcionários aprendessem uns com os outros e compartilhassem as inovações e melhores práticas com o objetivo de solucionar problemas empresariais.

No Brasil, a Educação Corporativa emerge na década de 1990 com a política neoliberal implementada no então governo Fernando Collor de Mello, no quadro de abertura econômica do país que impulsionou a ideologia da competição para o mercado globalizado. Esse modelo educacional assumido pelas empresas surgiu no auge do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade – PBQP.

Características da Educação Corporativa
As unidades de Educação Corporativa têm o espaço físico mais como um conceito do que uma realidade. As estratégias pedagógicas podem ocorrer por meio da educação presencial, à distância ou semipresencial. A modalidade à distância proporciona um aprendizado através de um ambiente virtual. Há instituições que atuam apenas em espaços virtuais, através da modalidade da Educação à Distância – EAD ou o e-learning aprendizado eletrônico, propiciando maior flexibilidade do treinamento, uma vez que o aluno tem mais liberdade para escolher o local e a hora para aprender, além de proporcionar a redução do custo. Existem instituições que contam com espaços físicos próprios, direcionados aos treinamentos dos seus funcionários, e eventualmente, utilizam espaços acadêmicos ou hotéis.

As novas tecnologias educacionais tornaram-se um ganho para a infra-estrutura educacional viabilizada pelas empresas. Através da Educação à Distância a qualificação dos funcionários é realizada em um tempo menor e com custos reduzidos, salientando que a economia de tempo pode chegar a 50%, e de custo a 60%, em relação aos cursos presenciais.

Através das ferramentas tecnológicas, o trabalhador pode aprender por meio de videoconferências, de cursos ministrados pela Internet, ou até mesmo pela Intranet da empresa. Nesse contexto, não existe mais a necessidade do trabalhador ausentar-se para fazer a capacitação, uma vez que o conhecimento vai até ele.

Pretende atender aos colaboradores internos, os funcionários, os colaboradores externos, os familiares dos funcionários, fornecedores, clientes e a comunidade em geral que são atendidos, principalmente, por intermédio das ações de responsabilidade social.

Cerca de 70% dos docentes são os próprios gerentes e executivos das instituições corporativas, enfatiza-se a atuação destes como forma de agregar valor à cadeia produtiva. A utilização dos gerentes traz um duplo benefício ao conhecimento organizacional:

Receber gerentes não apenas para ensinar os conceitos que utilizam todos os dias na sua vida profissional, mas também para adequar esses conceitos à realidade dos colaboradore. Além, das vantagens econômicas. Em vez de contratar facilitadores profissionais, usa-se a própria força de trabalho.

A maior dificuldade encontrada pelas empresas está na certificação dos cursos de educação formal. Somente instituições acadêmicas credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) ou secretarias de educação no caso da Educação Básica podem emitir diplomas. A estratégia encontrada pelas empresas foi realizar parcerias com as Universidades Tradicionais nomenclatura pela qual o mundo corporativo denomina as Universidades Acadêmicas.

Essas parcerias podem ser para validar a certificação dos cursos, como também para formatar um curso de acordo com a encomenda da empresa. Existem parcerias das empresas tanto com escolas e universidades públicas quanto privadas.

Um modelo de educação profissional pautado pelo mercado e tendo como principal finalidade a disseminação da cultura organizacional e o atendimento do plano estratégico da empresa, não atende à necessidade social de um projeto de formação humana comprometido com a construção de justiça social e a igualdade.

A educação é também um tema que interessa a todos os setores da sociedade, inclusive o corporativo, à medida que passa a ser percebida como dimensão fundamental para garantir competitividade nas empresas.

A educação na empresa prepara o indivíduo para exercer o seu papel e atuar como um profissional criativo, tanto no ambiente interno, como na sua vida particular, na comunidade onde vive.

As pessoas, quando participam de programas educacionais nas empresas, podem colocá-los em duas dimensões: uma dimensão de negócios, a serviço da empresa, e uma dimensão pessoal como formação e enriquecimento do capital cultural, do capital humano próprio.

A empresa forma para si, para o indivíduo, mas também para a sociedade, para o sistema.

A educação coorporativa vem ganhando importância como recurso para a obtenção de vantagens competitivas para as empresas do século XXI.

Está surgindo um conjunto totalmente novo de tecnologias que exigirão do trabalhador, seja no setor administrativo ou no setor produtivo, a postura do aprendizado permanente.

Mas, afinal, o que vem a ser Educação Corporativa? Definir Educação Corporativa não é tarefa tão simples, não é apenas uma nova denominação para algo tradicional no mundo das organizações.

Educação Corporativa é o esforço institucional estruturado de desenvolvimento continuado do potencial humano, compreendendo toda a cadeia de valor composta dos fornecedores e clientes da organização, dela própria e da sociedade, com o objetivo de contribuir para o alcance de metas e resultados essenciais à sobrevivência e ao crescimento sustentado da organização.

A ação voltada para toda a cadeia de valor da empresa conduz ao desenvolvimento de programas de educação continuada, como suporte à melhoria de resultados do negócio e ao aumento da competitividade da organização.

A educação corporativa é um processo influenciado por três variáveis que interagem entre si:
a) variável tecnológica - no sentido de que o processo se realiza em um ambiente tecnológico que propicia a aprendizagem em rede;
b) variável comportamental - pois existem aspectos relacionados com motivação, cognição e outros de natureza psico-comportamental envolvidos no processo;
c) variável organizacional - não limitada ao aspecto organizacional do processo de aprendizagem em si, mas envolvendo, também, a ambientação do processo dentro da cultura corporativa e o planejamento estratégico da organização.

A educação corporativa está simultânea e intimamente relacionada ao desenvolvimento das pessoas e às metas organizacionais, o que implica, de um lado, reconhecimento do valor estratégico das pessoas e, de outro lado, o propósito de se buscar patamares cada mais significativos de aplicabilidade de conhecimentos ao posto de trabalho.

O conceito demonstra também que o esforço institucional destinado ao desenvolvimento de pessoas precisa ser permanente e contínuo , fazendo com que trabalho e estudo tenham fronteiras cada vez mais tênues, se é que essas fronteiras ainda subsistem.