Exper News - Matéria de Capa

Matéria Capa 03

 


SENAI “Nami Jafet” 70anos qualificando mão de obra para a indústria

por Exper News

A Escola SENAI surgiu em Mogi das Cruzes através de um convênio com a Fundação religiosa “Ana de Moura”.

Essa Fundação tinha como objetivo oferecer formação profissional às crianças carentes da cidade. Como a Fundação não tinha condições de oferecer os cursos, seus diretores recorreram ao SENAI-SP, e propuseram uma parceria onde a Fundação disponibilizaria o prédio situado na Rua Senador Dantas, nº 326 e o SENAI proporcionaria a formação daquelas crianças. Assim, em 09 de maio de 1945, foram iniciados oficialmente os trabalhos com uma oficina de tornearia, uma de ajustagem. Sua criação foi fruto de um trabalho conjunto, implementado, para qualificar mão de obra para a indústria.

Nessa época, a média de matrículas variava entre sessenta e setenta alunos e os cursos disponíveis eram Torneiro Mecânico, Ajustador Mecânico e Marceneiro, além de um Curso Vocacional destinado a jovens de 12 a 14 anos (até 1953) com o objetivo de auxiliá-los na escolha profissional, o qual foi incorporado mais tarde pelo sistema de ensino da rede oficial do Estado.

A unidade permaneceu nesse local até 1962, quando suas instalações foram transferidas para o novo prédio, construído em terreno próprio cedido pela Prefeitura, localizado na Rua Otto Unger nº 390, em uma área de 8.544 m², sendo 4.423m² de área construída.

Nela foram instaladas as oficinas, salas de aula, além dos setores administrativos, enfermaria, biblioteca, pavilhão social, cantina, copa, quadra de esportes e outras dependências de apoio e manutenção.

A Escola recebeu em 1964 sua atual denominação de Escola SENAI “Nami Jafet”, em homenagem ao empresário proprietário da Mineração Geral do

Brasil Ltda, posteriormente Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes S/A - COSIM, que contribuiu para a instalação da Escola SENAI, na região.

Atualmente a escola oferece o Curso de Aprendizagem Industrial nas qualificações de Mecânico de Usinagem, Ferramenteiro de Corte Dobra e Repuxo, Eletricista de Manutenção, Auxiliar Administrativo e

Operador de Processos Siderúrgicos. Oferece ainda 40 cursos de Formação Inicial e Continuada nas áreas de Gestão, Tecnologia da Informação, Educação, Metalmecânica, Logística, Eletroeletrônica, Automação, Instrumentação, Construção Civil, Transporte , metalurgia e Segurança do Trabalho

A Unidade vem ampliando e diversificando suas formas de atendimento às indústrias e à comunidade, desenvolvendo, além de seus cursos regulares, outros programas de educação profissional que possam satisfazer as necessidades diagnosticadas através das informações fornecidas pelas empresas.

Com esse foco, o número de matrículas foi aumentando ano a ano, os horários tiveram que ser otimizados para atender toda essa demanda.

O SENAI passa sempre por constante modernização, resultante de crescentes investimentos recebidos sejam em máquinas e equipamentos, como em recursos humanos para qualificar e atender às demandas da evolução do mercado. Foram recebidas Máquinas de Usinagem a CNC adicionais com diferentes linguagens de programação, Máquinas de Eletro-erosão (a fio e por penetração), Máquina Injetora para Moldes Plásticos a CNC, Máquina de Controle Dimensional Programável e Tornos especiais (Tormax-30) mais apropriados para aprendizagem.

Um laboratório de Instrumentação Industrial com equipamentos de última geração foi instalado para atender as demandas da região e outros laboratórios, em especial de Hidráulica, Pneumática e Metrologia, foram modernizados.

Nos últimos dez anos a Unidade formou em média 6.200 alunos por ano

Hoje o Senai de Mogi das Cruzes atende 30% das empresas da região, compreendendo as cidades de Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim e Salesópolis.

Mogi das Cruzes é um dos pólos mais importantes do Brasil no desenvolvimento de tecnologias, produção industrial e prestação de serviços, sendo o principal núcleo empresarial da Grande São Paulo, atraindo com sua logística, empreendedores dispostos a investir e gerar empregos no município, havendo desta forma uma preocupação na busca de mão de obra qualificada em diversos níveis.

O setor produtivo passa por mudanças em seus processos os quais influenciam nos perfis profissionais demandados pelo mercado de trabalho. Cada vez mais técnicos que atuam na área mecânica encontram maior complexidade nos equipamentos utilizados O maior desafio é encarar as novas tecnologias. Temos de nos preparar para o futuro da indústria. E a formação profissional depende de uma formação básica de qualidade. Pensando nisso, no Sesi que mantém escolas de ensino básico, esta instalando o regime de tempo integral, proporcionando à criança o contato com a ciência e a tecnologia. Isso a partir dos seis anos. Para formar o trabalhador do futuro uma boa base é essencial. Podemos fazer a diferença dentro de nossa casa, com os recursos que dispomos.

Há uma preocupação do setor industrial na busca de mão de obra qualificada em diversos níveis, face aos resultados de expansão do mercado. Mais uma vez a Escola SENAI “Nami Jafet”, se antecipa às necessidades do parque fabril na região, preparando mão de obra especializada. Esse profissional deve estar habilitado a participar do planejamento, controle dos processos e aplicar técnicas de otimização durante os processos de acordo com normas técnicas, ambientais, de qualidade, de saúde e segurança do trabalho.

Curiosidades e façanhas sobre a estada de Prof. Milton Gava como Diretor
No meu primeiro dia como diretor, em 15 de outubro de 1978, aconteceu um fato que para mim foi inusitado. Ao chegar à escola pela manhã, me apresentei e fiz uma reunião rápida. Terminada a reunião, solicitei ao Secretário da Escola, senhor Vilson, que fizesse uma ligação para a Administração Central do SENAI para que eu pudesse falar com o professor Edmur, Diretor de Educação. Meia hora depois ele entrou na minha sala meio constrangido e me disse que a ligação solicitada ao “Centro Telefônico” somente seria possível às 18h30min. Fiquei surpreso porque na cidade de São Paulo já havia sido implantado o sistema DDD e em Mogi das Cruzes não.

Outro fato marcante na minha gestão: fiz questão de introduzir na área de Elétrica da Escola, o Curso de Comandos Elétricos, que eu já havia implantado na Escola SENAI de Santo André. Como não havia espaço, consegui autorização para ampliar a escola e construir um novo bloco. O espaço disponível era o jardim que existia após o bloco da administração escolar. A Diretoria de Obras consultou a prefeitura sobre a viabilidade da ampliação, mas inicialmente foi negada porque no jardim haviam 3 árvores Pau Ferro, com cerca de 10 a 15 metros de altura. Não tive dúvidas, fui falar com o Prefeito e disse a ele que eu mudaria as árvores para o outro jardim da escola. O Prefeito me disse: “se você conseguir mudar as três árvores eu aprovo a ampliação”.

Entrei em contato a empresa Dresser e consegui uma retro escavadeira e um guindaste enorme, que para entrar na escola o muro precisou ser derrubado. Escavamos as três árvores até o final das raízes, mais ou menos 2 metros de profundidade. Retiramos as árvores com o guindaste, saímos pela rua de traz. Demos a volta no quarteirão e plantamos as três árvores, que acredito que estejam vivas até hoje. O Diário de Mogi das Cruzes fotografou o transporte das árvores e publicou uma reportagem.

Mais um fato, dentre tantos, que lembro foi a “briga” para a construção da Escola SENAI de Suzano. Havia uma forte pressão das empresas da região para que o SENAI construísse uma unidade naquele município. O diretor Regional, Dr. Paulo Ernesto Tolle, não concordava com a ideia porque a Escola de Mogi das Cruzes abrigava todos os aprendizes e ainda tinha muitos alunos desempregados. “Comprei a briga”. Visitei as empresas da região e em 2 anos coloquei 100% de alunos empregados e levei ao Diretor Regional uma lista de empresas que precisavam matricular aprendizes e em Mogi das Cruzes não tínhamos mais vagas. Consegui o terreno e tive a oportunidade de acompanhar a construção da escola em Suzano, do início ao fim, e por dois anos acumulei a direção das duas unidades. Fui o primeiro Diretor da Escola SENAI de Suzano.

Há muitas boas lembranças. Talvez eu escreva um livro dos meus 46 anos no SENAI e com certeza dedicarei um grande capítulo a região do Alto Tietê.

Homenagem de ex-diretores: