Exper News - Matéria de Capa

Matéria Capa 06

 


Mais que inovar, é preciso se adaptar

por Vitor Cavalcanti

Amber Mac, da Konnekt Digital Engagement, traz cinco dicas para encarar de maneira diferente as transformações do mercado

A palavra inovação tem sido usada à exaustão. Ela soa como mantra em reuniões de planejamento, principalmente nesse momento de instabilidade econômica. Sem inovar, não há saída. Pelo menos é o que pensa muita gente. Mas contrariando essa corrente, Amber Mac, presidente da agência Konneckt Digital Engagement, afirma que mais do que inovar, é preciso se adaptar ao novo tempo.

Com isso, ela traz uma mensagem muito simples: pare de enlouquecer achando que só existe saída se criar algo novo e pense, enquanto o novo não aparece, em como adaptar seus produtos para o momento atual. E, sim, isso é possível. Na verdade, a especialista no mundo digital cita algumas empresas que, mais que adaptar um produto, adaptaram seu modelo de negócio ao mundo atual. Um dos expoentes nesse sentido é a Netflix que permaneceu em seu habitat, mas deixou de negociar DVDs para comercializar um novo modelo de consumo de conteúdo que ainda causa dores de cabeças às operadoras de TV paga.

Em conversa com o IT Forum 365 após palestrar no KES - Knowledge Exchange Sessions, a executiva explicou que existem empresas realizando trabalhos interessantes, sobretudo em tecnologia. “Algumas grandes empresas estão se adaptando melhor do que outras, mas essas também têm necessidades específicas para trilhar o próprio caminho. No mundo da tecnologia, a maioria das empresas se sai muito bem em adaptar o modelo de negócio para a nova economia. Mesmo porque, se não o fazem, sofrem consequências significantes”, pontua.

Questionada sobre outra obsessão que tem gerado grandes discussões nas empresas: a contratação de jovens a todo custo por entender que isso gerará a transformação buscada, Amber é muito cética e concorda que não existe um milagre simplesmente por atrair os talentos mais jovens. Para a especialistas, o simples fato de trazer integrantes da nova geração não resolverá os problemas de adaptação que as empresas enfrentam. Ela diz que, embora eles consigam lidar melhor com mudanças, o ideal é a companhia realizar um bom trabalho de recrutamento para atrair as pessoas corretas, independentemente da idade.

Além disso, Amber aconselha os executivos a buscarem informações muito além dos casos inspiradores. “Os líderes empresariais deveriam investir tempo lendo sobre empresas que falharam pela inabilidade de adaptação aos novos tempos. Normalmente, gostamos de estudar os casos de sucessos, mas em muitas situações se pode aprender muito mais com erros monumentais”, ensina.

A seguir, confira cinco dicas passadas por Amber para adaptar seu negócio/produto ao novo tempo.

1. Construa uma missão social
Os jovens querem trabalhar para empresas e comprar das empresas, mas desde que sejam companhias que tenham uma missão social. A GoldieBlox, por exemplo, criou como missão o fim da ditadura rosa, da ditadura Barbie para as meninas a partir de uma linha de bonecas com profissões não comuns às mulheres e também com trajes de cores diferentes, desmistificando o velho ideal de que mulher se veste de rosa.

Pegando um exemplo mais voltado ao mundo da tecnologia, a executiva falou sobre a Slack, empresa que criou um sistema de troca de mensagens corporativas com o intuito de reduzir a quantidade de e-mails e melhorar a produtividade. Hoje com valor de mercado em US$ 2,8 bilhões, a provedora coloca como missão não o desenvolvimento de novas ferramentas, mas sim a transformação organizacional, ou seja, mudar a forma como trabalhamos.

2. Siga os sinais da mudança
Talvez essa seja a regra mais básica e também a mais importante. É preciso estar atento ao que acontece ao seu redor e reconhecer quando seu produto já não atende aos anseios daquele momento ou mesmo que um concorrente passou a produzir algo melhor que você.

Na visão da executiva, a Netflix é um dos melhores exemplos, alugavam DVDs e revolucionaram o modelo de negócio. A diferença entre inovação e adaptação é pequena mas importante. A adaptação tem processos mais lentos, pequenos, não necessariamente de lançamentos constantes, mas de melhorias que adaptam seu produto ao novo tempo.

O que podemos aprender: ajustar problemas rapidamente, abraçar o mercado inventivo e criativo, desenvolver poucas regras para amplificar a adaptação.

3. Combate ao darwinismo digital
Muitas empresas falam do digital, mas não querem se adaptar. E isso é uma verdade em qualquer lugar do mundo. A culpa está em parte com executivos que usam palavras da moda para dizerem que estão trabalhando nesse sentido e parte com o líder máximo que não patrocina ou teme uma incursão muito forte no mundo digital.

Assim, essas empresas caem no que o especialista Brian Solis chama de darwinismo digital, ou seja, a evolução do comportamento do consumidor em um ambiente na qual tecnologia e sociedade avançam mais rapidamente e as empresas não conseguem se adaptar na mesma velocidade.

4. Busque parceiros diferenciados
Na economia da colaboração e dos aplicativos fechar-se no casulo e limitar o tipo de parceria que pode ser feito porque historicamente sempre foi assim é assumir que, em algum momento, seu negócio vai morrer ou, pior, você como profissional cairá no ostracismo e se tornará irrelevante.

Algumas companhias têm missões que dão poder as pessoas e vocês precisam fazer parcerias para propagar essa relação. A GoPro é um exemplo e se alia a diversos usuários para mostrar o poder que as pessoas têm em mãos a partir do uso de seus produtos. Isso é possível. Outro exemplo é o cantor de música country norte-americano Luke Bryan. Jovem e de olho nesse tipo de audiência, ele fechou parceria com o aplicativo Tinder. A audiência está lá e o objetivo foi atingido.

5. Continue relevante, não se desespere
O desespero em ser relevante ou se manter relevante pode te expor ao ridículo. Um exemplo não muito comum é a cantora pop Madonna. Ela está tentando manter-se relevante por meio de parcerias e outras atitudes que não têm colado. Ela tem feito coisas que exemplificam pessoas com muito poder, mas que não sabem como usá-lo.

Outra cantora, Annie Lenox, ao contrário da rainha do pop é um exemplo de como se tornar relevante por meio de parcerias, inclusive com jovens.