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Dicas e Dúvidas


De Professor a Facilitador: a Educação de Adultos no século XXI

por Ligia Feitosa

Segundo Carl Rogers (apud Knowles et ali, 2009: 90), “se há uma verdade sobre o homem moderno, é que ele vive em um ambiente que está sempre mudando e, portanto, o objetivo da educação deve ser facilitar a aprendizagem”.
Por esta razão, o papel do facilitador é crucial e vai além daquele de professor. Para Rogers o professor ensina, instrui, mostra, transmite conhecimento. É a postura típica da educação tradicional, em que os alunos devem se adaptar a um currículo previamente estabelecido.
A educação de adultos, por outro lado, acontece em um ambiente em constante transformação, o que demanda maior flexibilidade do facilitador.
A primeira coisa que o facilitador deve fazer é estabelecer um clima de confiança no grupo que conduzirá, de modo que todos se sintam a vontade para compartilhar conhecimento, ideias, experiências, sentimentos, etc.
Uma vez estabelecida a confiança, os integrantes do grupo estarão prontos para expor seus objetivos e sua motivação para estar ali, cabendo ao facilitador acolher os desejos individuais e agrega-los aos propósitos gerais do grupo. Neste ponto, é essencial que o facilitador respeite a individualidade de da um, de modo a garantir a coesão do grupo e o fortalecimento da confiança.
Sensibilidade e escuta empática constituem duas das habilidades mais importantes a serem desenvolvidas por aqueles que desejam trabalhar com adultos. Estar atento aos sinais que indicam sentimentos intensos em relação ao conteúdo, ao facilitador ou a membros do grupo pode representar a grande diferença entre atingir ou não os objetivos de um curso, workshop ou treinamento.
Ao aceitar e respeitar as diferentes opiniões que possam surgir ao longo do trabalho, o facilitador não só permite que elas venham à tona, mas também abre espaço para que sejam compreendidas e utilizadas positiva e construtivamente por todo o grupo, transformando o evento em oportunidade de aprendizado.
Vale ressaltar, também, a importância de o facilitador reconhecer sua incompletude e suas próprias limitações, compartilhando-as com os demais. Com este gesto, ele se coloca em situação de igualdade, ou seja, alguém que está aprendendo tanto quanto qualquer outro membro do grupo.
Esta é a beleza de se trabalhar na educação de adultos e, acredito, seja o que Eduard Lindeman tinha em mente quando disse que “são os humildes que se tornam bons professores de adultos” (apud Knowles et alli, 2009: 114).

Bibliografia: KNOWLES, Malcolm S.; HOLTON III, Elwood F.; SWANSON, Richard A., Aprendizagem de resultados: Uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

* Lígia Feitosa - Mestre em Linguística pela Unicamp, Coach Educacional formada pelo Instituto Holos, Coach Pessoal e Profissional, NeuroCoach e Analista Comportamental certificada pelo IBC. Possui o certificado CELTA emitido pela Universidade de Cambridge. Educadora especialista em Educação de Adultos e Aprendizagem de Línguas Estrangeiras. Autora do livro Coaching de Idiomas da Editora Leader.