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Dicas e Dúvidas


Chefes são seres em extinção

por Marcos Gross

Pesquisa na Suécia com 3.122 profissionais diz que um bom líder reduz, junto aos liderados, em 20% a chance de ataques cardíacos (no prazo de 1 ano) e os previne em 39% (no prazo de quatro anos). A palavra “chefe” tem um significado pesado para muita gente. Neste breve artigo, quero questionar o comportamento dos “chefes” e propor a “atitude de liderança”, mais aberta ao diálogo e às trocas entre as pessoas.

As informações estão em toda parte e é impossível deter o seu fluxo. As pessoas querem participar hoje dos processos de trabalho; desejam dar suas opiniões e esperam que os “maiorais” lhe deem ouvidos no cotidiano profissional. Há uma crescente intolerância aos sistemas autoritários na política e na realidade corporativa. Os meios de comunicação interativos, como as redes sociais, parecem ter estimulado as pessoas a coproduzirem as coisas e exigem alguma forma de participação. Não aceitam mais receber “ordens de cima” sem justificativa.

É inútil chefes quererem controlar o comportamento dos funcionários o tempo todo. Alguns farão coisas às escondidas, outros falarão mal dele no almoço, durante o cafezinho e muitos pedirão demissão em busca de um ambiente mais saudável. Muitas pessoas estão demitindo seus chefes.

A mentalidade de um “chefe” é fruto de milênios de opressão coletiva, de uma cultura autoritária herdada de nossos antepassados e está cristalizada em nosso inconsciente coletivo. O poder de um chefe em uma organização é formal e depende exclusivamente do cargo que ele ocupa. Os funcionários devem acatar as suas ordens somente porque assinaram um contrato e não pela afinidade que têm com o boss.

A comunicação do “chefe” basicamente funciona de cima para baixo top-down, sem abertura para o retorno das mensagens dos subordinados feedback. Os chefes estão distantes do setor operacional e não estão preocupados com o que os funcionários pensam ou sentem.

Os chefes mantêm o controle somente nas aparências. Nos bastidores, os funcionários falam mal dele pelas costas, fazem corpo mole e sabotam inconscientemente a empresa na prestação de serviços e manutenção das máquinas. Os chefes desmotivam as pessoas porque não consideram aquilo que se passa no íntimo delas. Resultado: a produtividade e a qualidade caem.

Ao contrário do chefe, o líder percebe qual é o perfil da sua equipe, procurando conhecer aquilo que se passa no interior de cada membro do time e estabelece um diálogo permanente com todos para que haja alinhamento de valores entre a empresa e os funcionários. Uma liderança sadia dá atenção às mensagens provenientes do setor operacional e permite que elas cheguem à alta direção botton-up. Quando a comunicação de um líder vai ao encontro de um colaborador, cria-se um excelente clima organizacional; os colaboradores ficam disponíveis para a empresa até nos finais de semana.

Se você trabalha com uma figura chamada “chefe”, fique tranquilo. Ele é uma espécie em extinção. Fim da mensagem.

Marcos Gross - Diretor da McGross Treinamento e Consultoria, Mestre e Especialista em Gestão de Comunicação, Autor do livro Dicas Práticas de Comunicação: boas ideias para os relacionamentos e para os negócios, editora Trevisan. www.mcgross.com.br