Exper News - Entrevista

Entrevistado


Itamar Rodrigues

Exper News - Para que nossos leitores o conheçam melhor, fale um pouco de sua trajetória profissional?
Itamar Rodrigues
- Comecei minha vida profissional como aluno do SENAI aprendiz pela empresa Estamparia Caravellas S.A. na ocupação Torneiro Ferramenteiro. Trabalhei lá por 7 anos, atingindo o cargo de Torneiro Ferramenteiro Pleno. Em 1986, iniciei minha carreira no SENAI como Docente de Práticas Profissionais e permaneci como docente por 11 anos. No ano de 1997, fui promovido ao cargo de Coordenador Pedagógico na Escola SENAI de Jacareí e retornei em 2003 para a Escola SENAI de Mogi das Cruzes.
Em 2007, fui promovido ao cargo de Diretor de Escola atuando nas Escolas SENAI de Bragança Paulista, Campinas e, desde de 2011, em Mogi das Cruzes.

Exper News - Qual a importância do SENAI na vida profissional de um aluno?
Itamar Rodrigues
- Para os nossos jovens, o SENAI é a principal porta de entrada para o mercado de trabalho, principalmente para aqueles que pretendem construir suas carreiras profissionais nas indústrias do nosso país. No SENAI, o aluno “aprende fazendo”, pois, a todo instante, ele põe em prática um forte conjunto de habilidades e competências para o desenvolvimento de uma tarefa ou para a solução de uma situação-problema. Isto tudo, com rigoroso cuidado com as regras de segurança e com interminável apreço pelo trabalho bem feito.

Exper News - Quais os recursos que o SENAI utiliza para manter-se atrativa e despertar a participação dos colaboradores das indústrias?
Itamar Rodrigues
- O SENAI está sempre ampliando e diversificando suas formas de atendimento às indústrias e à comunidade, desenvolvendo, além de seus cursos regulares, outros programas de educação profissional que possam satisfazer as necessidades diagnosticadas através das informações fornecidas pelas empresas.
O SENAI passa sempre por constante modernização, resultante de crescentes investimentos recebidos sejam em máquinas e equipamentos, como em recursos humanos para qualificar e atender às demandas da evolução do mercado.

Exper News - A educação no Brasil vem passando por uma reestruturação, o que o SENAI vem fazendo para aprimorar e inovar na educação?
Itamar Rodrigues
- Os investimentos realizados pelo SENAI-SP na área da educação, tornaram-se uma grande marca. Na área tecnológica, podemos destacar a modernização de todas as Unidades Escolares, a construção de inúmeras Escolas Móveis e a modernização e acreditação de seus laboratórios de prestação de serviços. Na área de recursos humanos podemos destacar o amplo investimento na atualização técnica e pedagógica de todos os docentes por meio de Programa Pró-Educador. Na área educacional podemos destacar a modernização dos cursos de aprendizagem industrial, a adequação da oferta de seus cursos técnicos ao catálogo de cursos técnicos do MEC e a implantação de vários cursos superiores de tecnologia.

Exper News - O SENAI tem uma programação e cursos muito elogiados no aspecto empresarial, o que podemos esperar para os próximos meses?
Itamar Rodrigues
- Atualmente a escola oferece o Curso de Aprendizagem Industrial nas qualificações de Mecânico de Usinagem, Ferramenteiro de Corte Dobra e Repuxo, Eletricista de Manutenção, Auxiliar Administrativo e Operador de Processos Siderúrgicos. O SENAI de Mogi oferece ainda mais de 40 cursos de Formação Inicial e Continuada nas áreas de Gestão, Tecnologia da Informação, Educação, Metalmecânica, Logística, Eletroeletrônica, Automação, Instrumentação, Construção Civil, Transporte, Metalurgia e Segurança do Trabalho, além dos cursos técnicos em Eletroeletrônica e Fabricação Mecânica.

Exper News - Os empresários da indústria devem ficar confiantes sobre os rumos da educação brasileira?
Itamar Rodrigues
- Sim, não podemos perder de vista que a classe empresarial tem muita força e capacidade de mudar os rumos do nosso país, inclusive os rumos da educação brasileira. Os empresários da indústria têm plena consciência de que o “novo trabalhador” precisa ser o gerenciador de seu próprio trabalho. A esse novo perfil, se aplicam hierárquicas menos rígidas e verticalizadas. Isto só é possível, por meio de uma educação profissional estruturada com base em competências e fortemente alicerçada por uma “educação geral” de qualidade. Isto é um caminho sem volta, e para isso os Estados deverão urgentemente repensar os currículos do ensino médio e flexibilizá-los para as demandas regionais e para os planos de carreira dos nossos jovens. Só assim teremos futuros trabalhadores com capacidade de expressar os problemas ocorridos em seus processos produtivos, liderar equipes, relacionar-se com a gerência e com outros setores da produção, resolver problemas técnicos e administrativos etc. Além disso, os processos produtivos exigem cada vez menos manipulação e mais interação abstrata e cognitiva. Essas novas competências seguramente exigirão alternativas técnico-pedagógicas por parte das instituições de ensino.

Exper News - Com sua experiência. Quais características que a educação brasileira tem que diferencia de outros países?
Itamar Rodrigues
- A educação brasileira passou por grandes transformações nas últimas décadas, que tiveram como resultado uma ampliação significativa do número de pessoas com acesso às escolas. No entanto, estas transformações não têm sido suficientes para colocar o país num nível educacional necessário para proporcionar a todos os cidadãos a oportunidade de participar de forma efetiva das novas modalidades de produção e trabalho. Na Europa e nos Estados Unidos as escolas possuem modelos flexíveis de ensino. Já as escolas asiáticas adotam modelos mais rigorosos, mas não menos eficientes. Nessas escolas é muito comum o uso intensivo de tecnologia de ponta e a presença de alunos bem preparados. No Brasil o currículo do ensino médio é fechado, com muitas disciplinas obrigatórias e sem nenhuma flexibilidade. Como não há um currículo que defina o que todos devem ensinar a cada ano letivo, os alunos têm dificuldades para absorver o conhecimento. O sistema de ensino brasileiro tem sérios problemas estruturais, pois além da infraestrutura precária, com salas de aula antiquadas, curta jornada escolar, altos índices de evasão, há também déficit de professores.

Exper News - Qual o maior desafio para 2015?
Itamar Rodrigues
- Em 2015, o maior desafio para o SENAI e para as grandes empresas será a adaptação às incertezas do momento. Contudo, eis a grande oportunidade para reavaliarmos nossos modelos de gestão e buscarmos cada vez mais a otimização de nossos processos produtivos e administrativos. Tudo isso, sem perder de vista a missão de atender prioritariamente as demandas da indústria regional e contribuir para a elevação da sua competitividade.