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Gestão Empresarial

 


O segredo para renovar empresas tradicionais

por George Eich

Muitas vezes associado a empresas de pequeno porte, a metodologia de OKR pode ser de enorme serventia para as grandes

Os métodos de gestão ágil são frequentemente relacionados a empresas de pequeno porte e com crescimento acelerado, mas isso não é uma regra. O mercado como um todo ganhou mais dinamicidade nos últimos anos e os setores mais tradicionais, como bancos e indústrias, precisam se modernizar para competir com os negócios enxutos, que por sua natureza são mais flexíveis. Para se tornarem mais competitivas, é necessário que as organizações consolidadas soltem suas amarras.

Visando se moldar às novas regras do jogo - inovação e agilidade - as metas e hierarquias engessadas precisam ser repensadas. A metodologia de OKRs (Objectives Key Results)  ajuda nesse processo - em empresas de qualquer porte. Isso porque diminui o ciclo de resultados, se ajustando com o que mercado exige naquele semestre, trimestre ou mês.

A metodologia não anula o planejamento a longo prazo, crucial para entender onde a empresa quer chegar. Com indicadores ajustáveis, porém, os líderes das grandes companhias conseguem ter o controle do que precisa se adequar à realidade do momento, para alcançar o que foi proposto para o futuro.

Dessa forma, mesmo empresas com uma grande estrutura de funcionários e setores conseguem estar conectadas com a realidade e ajustadas à ela. A quantidade de setores, aliás, não é um impedimento para as companhias consolidadas alinharem seu crescimento ao das startup - guardadas as especificidades de cada modelo de negócio. De novo, o que é necessário é uma rápida adaptação.

A estrutura vertical estatizada não faz mais sentido e cada área precisa ter autonomia para a gestão ser verdadeiramente ágil. Com objetivos a longo prazo bem alinhados, cada área deve poder ajustar os indicadores da forma que fizer mais sentido para seu trabalho. Afinal, quem melhor para analisar os erros e acertos do que quem está todos os dias com a mão na massa?

A figura do gestor, portanto, estará cada vez mais atrelada à otimização de processos e alinhamentos entre equipes do que detentor das rédeas. Para esse modelo dar certo, é preciso que todos na empresa trabalhem com um mesmo objetivo e a motivação comum de evoluir o negócio. A gestão de pessoas é essencial no processo de agilizar os resultados; a cultura organizacional precisa estar implícita em todas as ações dos colaboradores para que as engrenagens girem sozinhas para um mesmo lugar.

Os benefícios de uma gestão voltada para agilidade dos processos vão muito além dos econômicos, portanto. Passam por uma reorganização da empresa, que pode - e deve - ser feita de forma natural e alinhada com as expectativas das equipes e das pessoas. Sendo assim, ao final do processo grandes empresas poderão acompanhar seus mercados, entregando produtos modernos e atualizados com as novas necessidades de seus clientes.

George Eich é sócio-fundador da CoBlue, startup catarinense que desenvolve um software de OKR