Vidro emissor de luz pode virar tela 3D e muito mais

fonte Inovação Tecnológica- foto University of Adelaide

As nanopartículas podem ser cuidadosamente inseridas no interior do vidro, criando vidros inteligentes, ou funcionalizados. 

Pesquisadores australianos desenvolveram uma técnica que permite incorporar nanopartículas emissoras de luz no interior de um vidro sem que o vidro perca suas propriedades, como a transparência e a moldabilidade.

Segundo Jiangbo Zhao e seus colegas da Universidade de Adelaide, isso permitirá a fabricação de "vidros inteligentes", que continuam sendo vidros de pleno direito - servindo como janelas, por exemplo - mas também funcionando como telas e sensores.

A equipe está particularmente interessada em uma possibilidade muito interessante, ainda que exija desenvolvimentos adicionais: transformar blocos de vidro em telas 3D, já que os pixels poderiam teoricamente ser dispostos cuidadosamente ao longo de todo o volume do vidro.

Neurossondas e telas 3D

O vidro híbrido resultante do processo combina as propriedades das nanopartículas luminescentes - ou emissoras de luz - com os aspectos bem conhecidos do vidro, como a capacidade de ser processado em vários formatos e espessuras, incluindo fibras ópticas muito finas.

Quem explica as vantagens e possibilidades abertas com a técnica é o professor Tim Zhao, coordenador da equipe.

"Estas novas nanopartículas luminescentes, chamadas nanopartículas de conversão ascendente, tornaram-se candidatas promissoras para uma ampla gama de aplicações de tecnologia de ponta, tais como detecção biológica, imagens biomédicas e telas volumétricas 3D.

"Integrar essas nanopartículas em vidro, que é normalmente inerte, abre possibilidades entusiasmantes para novos materiais híbridos e dispositivos que podem tirar proveito das propriedades das nanopartículas de maneiras impossíveis de se fazer até agora.

"Por exemplo, neurocientistas hoje utilizam corantes injetados no cérebro e lasers para guiar uma sonda de vidro até o local de interesse. Se nanopartículas fluorescentes forem incorporadas nas sondas de vidro, a luminescência única desse vidro híbrido pode funcionar como uma lanterna para orientar a pipeta diretamente até os neurônios individuais."

Conversão ascendente

Embora o método tenha sido desenvolvido e demonstrado com nanopartículas de conversão ascendente, os pesquisadores acreditam que sua abordagem - que eles chamam de "dopagem direta" - pode ser generalizada para outras nanopartículas com propriedades fotônicas, eletrônicas e magnéticas interessantes.

A conversão ascendente se refere a um processo em que fótons de uma determinada cor são absorvidos por um material - a nanopartícula, neste caso - que, em seguida, emite fótons de outra cor - um exemplo é a conversão da luz infravermelha em luz visível.

Desta forma, as aplicações possíveis e as funcionalidades dos vidros funcionalizados dependeriam tão somente das propriedades das nanopartículas utilizadas.