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Liderança

 


Sob a liderança de Tim Cook, Apple não é mais a mesma

por Steven Russolillo

Um dos planos de sucessão mais importantes da história do mundo empresarial vai atingir um marco nesta semana.

Cinco anos atrás, o visionário e icônico líder da Apple Inc., Steve Jobs, passou o comando da empresa que ele ajudou a fundar para seu sucessor, Tim Cook. A transição oficial aconteceu seis semanas antes de Jobs falecer.

Agora, a Apple é a maior empresa do mundo em valor de mercado e continua sendo uma das mais influentes. Seu lucro líquido no ano passado, de US$ 53 bilhões, foi maior que o ganho combinado de várias gigantes da tecnologia, como Facebook Inc., Alphabet Inc.,dona do Google, Amazon.com Inc. e Microsoft Corp. Recentemente, a Apple superou a marca de um bilhão de iPhones vendidos.

Ao mesmo tempo, o crescimento da Apple vem perdendo força, a cotação de suas ações está se estagnando e há mais preocupações do que nunca sobre seu futuro. O iPhone, lançado durante a era Jobs, gera ainda mais receita hoje e responde por cerca de 65% do faturamento total da empresa.

Mas é justamente esse sucesso estrondoso que agora está assombrando a Apple. Com as vendas do iPhone recuando, a empresa registrou dois trimestres consecutivos de queda na receita, interrompendo uma sequência de 13 anos seguidos de crescimento. O tablet iPad patinou nos últimos anos e o relógio inteligente Apple Watch não se tornou um campeão de vendas.

Na bolsa americana, a ação da Apple também fez a improvável transição de um investimento que gera crescimento para outro que gera valor, graças aos bilhões de dólares que a empresa gastou durante a administração de Cook para pagar dividendos a acionistas e recomprar ações.

A cotação das ações da Apple mais que dobrou nos últimos cinco anos, superando o desempenho do índice de ações S&P 500, mas ficando um pouco atrás do Índice Composto Nasdaq, que é formado, na maioria, por empresas do setor tecnológico.

A ação da Apple está barata considerando o lucro da empresa, mas está barata há anos. O que vem deprimindo a cotação é o receio de que a Apple não tenha um novo produto verdadeiramente revolucionário na manga.

No primeiro e-mail que enviou aos funcionários como diretor-presidente, em agosto de 2011, Cook disse: “Quero estar confiante de que a Apple não vai mudar.”

Mas mudanças são inevitáveis, ainda que os acionistas da Apple demorem a aceitar isso.