Exper News - Liderança

Liderança

 


Líderes precisam construir um legado na atual conjuntura

fonte Diário do Comércio

Visão de mundo deve ser ampla, integrada e sistêmica

As mudanças conjunturais pelas quais passa o Brasil têm refletido não só nos resultados econômico-financeiros e indicadores sociais do País, mas impactado nas relações patronais e influenciado os modelos de liderança. Entregar resultados e equilibrar interesses deixaram de ser as duas principais bases do pilar de um bom gestor. Mais do que nunca, o momento atual exige dos líderes um comprometimento absolutamente voltado para a construção de um legado. Essa e outras considerações foram feitas pelo presidente-executivo da Fundação Dom Cabral (FDC), Antônio Batista da Silva Júnior, na última sexta-feira, em almoço-palestra realizado pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE Minas), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.

À frente da FDC há seis meses, Batista, que é doutor em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em Business Policy pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead, na sigla em francês), na França, ressaltou que a crise enfrentada por todo o mundo é muito mais do que política e econômica. Segundo ele, as transformações perpassam a confiança nas instituições. “Estamos vivendo, não só no Brasil, mas no mundo todo, uma grande crise de confiança, de ética. E o grande desafio das empresas é formar líderes que tenham um conceito de legado, uma preocupação com o que irão deixar para a sociedade para além dos resultados financeiros das empresas em que estão à frente“, ressaltou.

Para o presidente da FDC, os líderes empresariais da atualidade devem ter uma visão ampla de mundo, integrada e sistêmica, que vá além da entrega de resultados e do equilíbrio de interesses internos e externos. “Os anos 80 e 90 foram marcados pelo mantra do resultado, da performance financeira. Mas o conceito, agora, tem se transformado em resultados sustentáveis, fruto de todas essas transformações. Acredito que, hoje, uma grande demanda que esses líderes irão sofrer diz respeito à criação de um capital ‘reputacional’ para suas companhias”, afirmou Batista.

O administrador ressaltou, ainda, o importante papel da instituição, onde também atuou como diretor executivo de Mercado e como professor de Estratégia Competitiva e Alianças Estratégicas, além de projetos de desenvolvimento organizacional. No mês passado, a FDC, uma das escolas de negócios mais importantes do País, completou 40 anos. “É uma data cheia, marcante, e que reflete uma trajetória empresarial de sucesso. Estamos preocupados e deitando nossos olhos sobre o futuro. A FDC quer ser protagonista na discussão de temas de interesse da sociedade. Nós temos um papel importante enquanto escola de formação de líderes, ajudando as empresas a serem não só maiores, mas melhores”, ressaltou. Segundo o presidente-executivo, a FDC deseja se tornar uma escola de negócios para o futuro.

O almoço-palestra é realizado, mensalmente, pela ADCE Minas. De acordo com o presidente da instituição, Sérgio Frade, a associação tem como ponto convergente com a FDC a responsabilidade social empresarial, enfatizando, no entanto, a aplicação dos valores cristãos nas tomadas de decisões. “Nós não podemos depender somente do governo. O que realmente movimenta a economia é o empresariado. E se ele estiver preparado, as coisas voltam a funcionar. Em um momento como esse, de crise e desafios, o empresário, o dirigente, precisa se fortalecer e, muitas vezes, ele se fortalece na fé”, destacou.