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Conheça o perfil dos nove novos vereadores de Mogi

por Lucas Meloni - O Diário de Mogi

As urnas elegeram nove “novos” nomes para a próxima legislatura na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. A nova configuração representa uma mudança de 39% no Legislativo local que ficou ainda mais masculino: das 23 cadeiras, apenas uma será ocupada por mulher, Fernanda Moreno (PV), a eleita com menor votação dentre todos desta nova composição. Defensora da causa animal, Fernanda substitui Karina Pirillo (PSD), outra protetora dos bichos, de quem foi assessora em 2012. Figuras conhecidas da política da Cidade, como José Antonio Cuco Pereira (PSDB), que foi, por oito anos, vice-prefeito, retornam ao poder legislativo. O Diário entrevistou alguns deles para ouvir as propostas e as ideias que têm para a Mogi dos próximos anos.

Edson Santos
A partir dos trabalhos com equipes de assistência social, organizações não governamentais e igrejas, Edson Santos (PSD), 49 anos, construiu uma base de apoiadores. Isso garantiu a ele 4.750 votos, a segunda mais alta votação na eleição de domingo passado na disputa à Câmara Municipal, atrás apenas de Caio Cunha (PV), que conquistou 5.788.

Formado em Gestão Pública, Santos trabalha há anos na Secretaria de Assistência Social e no Fundo de Solidariedade Municipal. “Tenho um trabalho de mais de 20 anos em parceria com o prefeito Marco Bertaiolli, acumulo ações em parcerias com entidades de assistência social, igrejas, comunidades, entre outros grupos. Tudo isso ajuda a explicar um pouco a minha expressiva votação”, justificou à reportagem.

Como propostas, Edson afirma que é preciso dar continuidade a projetos como a educação em período integral. A população em situação de rua também deve ser observada, ressaltou. “É preciso aumentar essas unidades em período integral porque elas são fundamentais na melhoria da qualidade da educação. Sobre as pessoas em situação de rua, a Cidade não tinha centros de acolhimento. Isso foi criado nas gestões mais recentes. Não havia o plantão de atendimento (que vai aos locais de concentração dessas pessoas) para levá-las aos pontos de acolhimento, mas agora tem. Com a construção do Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas), que será entregue pela Prefeitura em breve, este problema entre os mais jovens, principal parcela da população, deve ser amenizado”, comentou.

Maurinho Despachante
Com apoio de alguns setores da Igreja Católica, em especial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Alto do Ipiranga, Mauro de Assis Margarido (PSDB), de 43 anos, o Maurinho do Despachante, conseguiu eleger-se vereador em Mogi das Cruzes em sua primeira disputa, com 3.747 votos. Para o eleito, um representante do Legislativo deve incentivar o projeto participativo e estar atento às demandas da população.

De acordo com Assis, que é gerente da Despachante e Contabilidade Odimecc, a legislatura dele será marcada pelo diálogo. “Há muito tempo trabalho com a assistência social e com ações voltadas às pessoas com menos renda. A minha ideia é um projeto participativo, de diálogo com diversos setores da sociedade, em especial com os líderes de bairros. As pessoas têm ideias, então, por que não ouvi-las? As pessoas de bem querem contribuir, portanto, os projetos serão baseados nas necessidades observadas em relação ao público”, afirmou à reportagem.

Mauro ocupará uma das duas novas cadeiras conquistadas pelo PSDB na Câmara de Mogi. É um número de respeito, já que a sigla dobrou a sua composição no Legislativo. Além de Pedro Komura e Claudio Miyake, que se reelegeram, José Cuco Pereira volta à Câmara depois de mais de 10 anos afastado.

O gerente, graduado em Direito, contou que esta foi a primeira eleição que concorreu e conseguiu a vaga graças aos votos de membros da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. “Segui a recomendação da Igreja que disse para que as pessoas de bem participassem da política. Eu fui participar”, disse.

José Francimário
José Francimário Vieira de Macedo (PR), de 39 anos, é conhecido por amigos e pela população da região central e de Taiaçupeba como Farofa e foi eleito vereador com 3.135 votos. Diretor da Organização Não-Governamental (ONG) É Legal ser Carente, que viabiliza e agiliza exames e consultas médicas a pacientes de baixa renda do Alto Tietê, Farofa ressalta que a saúde é uma área cujo ápice nunca será alcançado. “Tem constantes necessidades”, analisou.

Macedo tem formação em Gestão Pública e foi uma das maiores apostas do PR para a vereança em Mogi. Ele já assessorou o deputado federal Márcio Alvino e teve ajuda da vereadora Odete Sousa (PR), que não quis disputar a reeleição. Ficará sobre os ombros de Farofa a responsabilidade de defender os interesses da população de Taiaçupeba na Câmara.

“Trabalho na área da saúde e da assistência social e sei o quanto as pessoas precisam destes serviços, que são básicos. A Cidade precisa de mais Upas (unidades de pronto atendimento) e de postos de saúde, em bairros bem distantes da região central. É difícil para este público ir até o Centro para passar por consulta ou fazer exame”, explicou a O Diário.

Por dia, cerca de 20 pessoas são atendidas na ONG, localizada na Rua Ipiranga. O trabalho consiste em, por meio de contatos com hospitais públicos e até privados da Grande São Paulo, fazer o encaminhamento de alguns pacientes que têm dificuldades em conseguir realizar os procedimentos pelo Alto Tietê.

Otto Rezende
O médico alergista e imunologista Otto Rezende (PSD), 51 anos, já tem dois projetos na área da saúde pelos quais tentará meios para viabilizá-los durante os próximos quatro anos em que ocupará uma cadeira na Câmara de Mogi. O primeiro é um serviço de atendimento a pacientes com asma e um de endocrinologia para diabéticos tipo 1.

Desde 2004, Rezende disputa vaga na Câmara. Ficou como suplente nas três tentativas de lá para cá. Ele é irmão da ex-vereadora Carla Flores de Rezende, também médica.

“As minhas propostas estão centradas em criar um serviço de atendimento a pacientes com asma e alergia, além de um centro de endocrinologia para pessoas com diabetes 1 (normalmente identificada na infância ou juventude, não tem cura e requer tratamento com insulina). A minha ideia é que esses atendimentos possam ser feitos no Hospital Municipal de Braz Cubas (Prefeito Waldemar Costa Filho)”, comentou.

Rezende atende no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho, no Mogilar, e na clínica dele, a Alergo-Ar, na Avenida Japão.

A vida pública sempre foi um objetivo do médico que, nesta campanha, pôde ser visto pelas ruas em diferentes partes da Cidade.

Segundo Otto, o diferencial desta campanha, em relação às demais, foi ter feito parte de uma chapa forte, orquestrada pelo prefeito Marco Bertaiolli (PSD). “Meu time também é Mogi das Cruzes, a exemplo do partido do prefeito Bertaiolli”, acrescentou.

Saúde é pauta constante na agenda de Rezende. É também um desafio na vida de qualquer figura pública.

Cuco Pereira
Com seis legislaturas em sua vida política e com duas passagens como vice-prefeito, José Antonio Cuco Pereira (PSDB), 75 anos, tem vasto histórico. A caminho da sétima passagem pela Câmara, Cuco quer auxiliar na melhoria da saúde, educação e do transporte público, setores que, segundo ele, apesar dos avanços dos últimos oito anos, ainda são alvos de reclamação. Articulador do PSDB e um dos nomes de confiança do prefeito Marco Bertaiolli (PSD), Cuco foi o vice de Bertaiolli nas duas recentes gestões – a atual termina em dezembro próximo.

“Há uma ‘insatisfação’ que precisa ser contida e as pessoas estão certas em cobrar”, avaliou Cuco, que já foi presidente da Câmara por seis vezes (uma vez a cada legislatura) e tem 11 passagens como prefeito interino da Cidade.

Após o período de turbulências no diretório municipal, Cuco articulou arranjos e pacificou o ninho do tucanato em Mogi. O resultado foi a ampliação do número de cadeiras na Câmara: de duas para quatro, o almejado antes das eleições. Um dos “novos” vereadores, é experiente na política.

Rodrigo Valverde
Na contramão do cenário nacional, o PT de Mogi, apesar da crise sobre a imagem da sigla pelo País, conseguiu aumentar sua participação na Câmara Municipal. Antes, apenas Iduigues Ferreira Martins ocupava cadeira no Legislativo. A eleição de domingo destacou Rodrigo Valverde, 38 anos, advogado e presidente do PT na Cidade, à segunda cadeira do partido no Legislativo. O lema dele é buscar pontos de interesse em comum com o governo do prefeito eleito, Marcus Melo (PSDB), pelo bem da oposição.

Valverde disse ter recebido ligações dos diretórios regionais e estaduais do PT pela ampliação ocorrida em Mogi. E elas são bem-vindas, acrescentou ele. A surpresa se justifica porque a eleição de 2016 foi uma das piores para o PT desde sua fundação, em meados da década de 1980. “Quero buscar convergências com a nova gestão pelo bem da Cidade e ajudar a desenvolver alguns pontos até aqui não muito explorados, como o potencial turístico de Mogi. Uma bandeira que quero defender é a colocação de wi-fi nos ônibus municipais”, argumentou.

Na primeira eleição, em 2004, Valverde teve 400 votos, em 2008 foram 1,2 mil, em 2012 recebeu 2,1 mil, mas quis o destino e as coligações que, em 2016, os 1.836 votos o levassem à próxima legislatura, a começar no ano que vem. Ele continua presidente do PT até fevereiro de 2018.

Fernanda Moreno
A única mulher eleita dentre os 23 vereadores da próxima legislatura da Câmara de Mogi é a bancária Fernanda Moreno (PV). Ela tem 34 anos, é formada em Gestão e Relações Institucionais e trabalha no Banco do Brasil. A principal bandeira dela é a proteção animal, a mesma que ajudou a eleger, em 2012, Ana Karina Pirillo (PSD) que, desta vez, ficou de fora da vereança. A vida púbica, entretanto, não é algo estranho à nova vereadora, que por um ano e quatro meses foi assessora de Karina. As duas eram mantenedoras da Organização Não-Governamental (ONG) Adote Já, hoje tocada apenas por Karina. “Houve divergências e me afastei. Criei o Grupo Fera, ONG que faz castração e doação de animais”, explicou.

Fernanda quer que o poder público invista nessas alternativas para diminuir o número de animais abandonados pelas ruas. “Faltam iniciativas mais amplas como essas, além de m Fórum de Defesa Animal. Sou do Mogi Moderno e sei que as pessoas também têm necessidades como praças e espaços públicos”, afirmou a única mulher da Câmara a partir de 2017. “Perdemos as três vereadoras que estavam e eu entrei por pouco porque fui a menos votada. Esse quadro predominantemente masculino tem que mudar”, avaliou ela, que deve pedir licença ao BB, onde é funcionária concursada, para exercer o cargo de vereadora.

Péricles Bauab
Péricles Bauab – Câmara 2000 a 2004 – só um mandato, terminado,desiludiu não queria mais. Agora, com ideias na área de atendimetno médico, resolveu voltar. Principalmente na área da saúde, área dele mesmo, não adianta. Quero ver se consegue, não sepode criticar o prefeito, porque fez hospital UPA, bom trabalho, atendimento em postos aumentou muito e melhorou, mas temos problema vaga para cirurgia. Então, tem ideias para lançar projetos nesta área.

- Quem não tem convênio é variável de 3 meses até 1 ano. De outubro do ano passado, e foi operado agora, porque encaminhou pedido.

- O Luzia é do Estado e fecharam o leprosário e temos que mexer nestas áreas e ver o que dá para se fazer. Todas cirurgias eletivas. Luzia não tem porte de que realmente possa sustentar a região toda. Só tem ele na região.

- Outras áreas, na verdade, está em contato com grupo Rede Nossa SP meu Município – quer estudar com eles o perfil de Mogi, o que dá para discutir e dá para conversar com o prefeito. Demanda estudo bom, para apontar outras áreas. Já tenho na cabeça mas é bom antes.

- Esperava que fosse melhor, achei que foi mal. Continua com o escritório, precisa porque é o contato com o público, daqui pode ver onde estão os problemas.

- Veio para Mogi 1970, veio formada da Satna Casa de SP. Auge da mãe pobre que era o melhor da Região. Só 2 anos, bebeu água da biquinha e ficou.

- Medicina – Vinha de plantão, mudança de 1973, era auxiliar de ensino lá e veio para cá, por isso tirou licença de 2 anos para vir e voltar para cá.

- 74 anos – cidade Sabino (SP), perto de Lins. (CARLA OLIVO)

Diegão
Uma das novidades nas urnas domingo foi a eleição de Diego de Amorim Martins, o Diegão (PMDB), 34 anos, que concorreu a vereador pela segunda vez, obteve 1.533 sufrágios e assumiu a 22ª vaga na Câmara de Mogi. Na primeira candidatura, obteve 993 votos e ficou como terceiro suplente, mas não chegou a assumir cadeira na Casa de Leis. Entre suas bandeiras estão melhorias na educação, com novas escolas técnicas, descentralização da cultura e investimentos na saúde. “Mogi está no caminho certo. Vou lutar por mais uma maternidade no Município”, promete Diegão.

Mogiano nascido na antiga Maternidade Mãe Pobre, ele mora em Braz Cubas, atua como gerente de uma loja de suplementos alimentares, cursou até o Ensino Médio, vive em união estável com a advogada Glaucia Sá e é pai de Maria Eduarda, 15 anos, e Diego, 9 meses. A eleição, segundo conta, já era esperada. “Estive em mais de 80 bairros falando de renovação, propostas e projetos”, diz. (C.O.)