Exper News - Colunista Márcio Junior

Márcio Junior

Razão ou Emoção qual domina você?

Se você parar para analisar vai ver que a distância entre o cérebro e o nosso coração é extremamente pequena, para ser mais exato 30 cm em um ser humano adulto. E neste pequeno espaço ocorre uma batalha contínua e incansável para descobrir quem vai dominar a sua vida.

A emoção é algo que nos faz agir por impulso, pensando exclusivamente no bem estar, e na alegria momentânea. Esta mesma emoção nos faz chorar, sorrir, enfim, é o sentimento que aflora sem que sejamos racionais. Por outro lado temos a razão. Agir com a razão é pensar no amanhã, nas consequências de uma decisão. A razão nos coloca um freio e diz: “É melhor arriscar com cautela e medir as consequências dos seus atos”.

É um grande erro acreditar que mente e coração são dois universos diferentes dentro de uma única pessoa, quando na verdade você é um universo separado apenas por uma porta. Exatamente uma porta.

Quando você era uma criança, esta porta permanecia aberta, você circulava entre os dois lados tranquilamente, razão e emoção significava equilíbrio. Afinal a criança expressa seus sentimentos com naturalidade e sabe racionalizar quando é preciso.

A medida que você foi crescendo sua primeira classe social, denominada família, começou a colocar impedimentos para você expressar seus sentimentos. Tirou de você um meio que a natureza lhe concedeu para se conhecer e lidar com a sua realidade. Roubaram-lhe a única forma que você tinha para diminuir seu sofrimento diante de uma realidade inescapavelmente, difícil e dolorosa. Esse equívoco, repetido dia após dia na sua vida, encontra-se na raiz de muitos desequilíbrios posteriores e é comum mesmo que você se preocupe em evoluir intelectual e psicologicamente. Isto é, na tentativa de seus pais controlarem suas ações, acabaram por interferir em seus sentimentos.

O resultado dessa interferência é que você decide fechar essa porta com uma chave e escolhe um lado para ficar. Como você tem apenas duas opções: razão e emoção, o lado que for mais seguro para você é onde estabelecerá moradia. Posso exemplificar: Quando você chega em sua casa ou apartamento o que faz primeiro? Abre a porta e entra. Pergunto a você: Onde você se sente melhor na rua ou dentro de sua casa? Com a emoção e a razão acontece a mesma coisa, não vemos a hora de estar no lugar que nos acolhe. Por isso algumas pessoas tendem a ser mais emotivas e outras mais racionais, tudo dependerá do lado onde você se sente bem.

O ideal seria não trancar a porta e sentir-se confortável tanto na rua como em seu lar.

Na década de 90 tive a oportunidade de viajar para o interior, de Minas Gerais, e pude observaras casas não tinham chaves, todos dormiam de portas abertas, dentro de casa ou em redes fora dela. Tente imaginar o quão felizes eram essas pessoas. Eu e meus pais fomos tirar isso a limpo e ao nos aproximarmos dessas pessoas, percebíamos em poucos segundos o brilho nos olhos, aquela ingenuidade infantil. Eu brincava mais com os adultos do que com as crianças. Todos transitavam entre razão e emoção em minutos. Pessoas desapegadas de tudo e de todos, ali aprendi a viver o presente e não me preocupar com o passado ou com o futuro. Todos se conheciam, a ajuda era mútua tanto na tristeza quanto na alegria.

Passei ótimos momentos naquela cidade e hoje vivo esse conflito entre razão e emoção porque fechei a porta, adquiri uma chave interior, e outras tantas exteriores como: do carro, da moto, do escritório e agora também senhas e como se não bastasse minha digital virou uma chave.

Como posso ser livre portando tantas chaves e senhas?

Toda vez que vou mexer no celular eu tenho de colocar a senha e isso é um aborrecimento porque não posso ter o prazer de acessar o meu celular tranquilamente.

Qual seria a solução para esse conflito?

Manter a porta que separa o coração da mente, sempre aberta.

Como fazer isso em posse de medo, insegurança e traumas?

A grande complicação dos seres humanos começa nesse momento. É aí que você vai encontrar todos os grandes dramas da história, aquilo que Shakespeare captou em suas peças. Os grandes dramas de reis e rainhas, príncipes e plebeus, é o constante conflito entre aquilo que são, os conselhos da emoção e do instinto, por um lado, e a influência que vem do raciocínio, do conhecimento e da reflexão.

Para facilitar a transição entre razão e emoção trago algumas dicas que conheci através de estudos, pesquisas e um olhar questionador para o universo:

#1 Quando estiver para tomar uma grande decisão, faça a pergunta para a razão e para a emoção, e só decida fazer se a resposta, for um duplo sim, e não fazer se for um duplo não. Na hipótese de a resposta ter um sim e um não, o ideal é pedir mais tempo para avaliar a situação, para que possa responder com convicção.

#2 Não alimente morada em apenas um dos lados, exercite sentir-se bem em ambos, para que um lado não fique mais forte que o outro.

#3 Os dois lados devem trabalhar em prol de um mesmo objetivo, esse tipo de exercício estabelece a paz e com o tempo você vai perceber que sua porta não ficará tanto tempo fechada.

À medida que você evolui, estará caminhando para uma maior harmonia entre o lado emocional e instintivo e o lado racional e de reflexão. Essa harmonia precisa ser estabelecida. É um trabalho por se concluir. Um dia você vai acordar e perceber que convivência em sociedade, exige que se ponha a razão e a emoção na balança o tempo inteiro, nesse momento então você conseguirá equilibrar os dois lados. Obrigado e até a próxima.


Márcio Junior- pós-graduado em Psicologia Organizacional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, graduado em Comunicação Social, palestrante, escritor e publisher. Conselheiro CONSCEX- Conselho Superior Comércio Exterior da FIESP, Coordenador do NCE - Núcleo de Comércio Exterior do CIESP Alto Tietê e CEO da CACOMEX-AT - Câmara do Comércio Exterior do Alto Tietê.